OPINIÃO – Pecuária: gestão e sustentabilidade vão garantir oportunidades em 2021

O presidente do Movimento Nacional da Pecuária (MNP), Rafael Gratão, faz um balanço do setor em Mato Grosso do Sul e fala sobre perspectivas

Mato Grosso do Sul tem como uma de suas principais atividades do agronegócio a pecuária. A atividade engloba desde a produção à exportação de bovinos, aves, suínos e outras cadeias, que mesmo em ano de pandemia, correspondeu às expectativas com desenvolvimento econômico. A atividade deu um salto nos dois últimos anos em qualidade e inovação no campo, mantendo a atração do mercado externo, garantindo qualidade ao consumidor brasileiro e uma rentabilidade mais justa ao produtor.

Entre janeiro a outubro de 2020, cerca de 3,08 milhões de bovinos foram encaminhadas para abate em Mato Grosso do Sul, segundo a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), esse volume é 12,6% menor que o embarcado no mesmo período de 2019. Já no que se refere à proteína branca, como frango e suínos, os números superaram 2019 até o momento, foram 146 milhões de aves abatidas até outubro, 11,5% a mais que no ano anterior, enquanto a suinocultura expandiu os abates em 9%, passando de 1,58 milhões de abates para 1,73 milhões, em relação a 2019.

Rafael Gratão – Presidente do Movimento Nacional da Pecuária (MNP)

Rafael Gratão é presidente do Movimento Nacional da Pecuária (MNP). Foto: divulgação

Os números corroboram para avaliação da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que prevê um ano de 2021 ainda mais forte na produção e exportação de frangos e suínos, diante de um mercado externo ávido pela proteína animal brasileira, e um mercado interno com maior demanda.

Dados do Sistema Famasul indicam que 18% das exportações de Mato Grosso do Sul foram de carne. Desse total, 141 mil toneladas foram de carne bovina in natura, 135 mil toneladas de frango e 12 mil toneladas de proteína suína. O principal porto de escoamento foi o de Paranaguá. Para carne bovina, o volume exportado foi menor, pois em 2019 foram 155 mil toneladas, porém houve um ganho de 20% na receita dado o preço médio de R$ 270 por arroba do boi gordo.

Hong Kong, China e Emirados Arábes Unidos são os principais destinos de produtos pecuários produzidos em Mato Grosso do Sul. O estado é o quinto maior exportador de carne bovina e de frango in natura. Por isso, a pressão asiática relatada pela ABPA para a comercialização de 2021 deve aquecer ainda mais o mercado pecuário no estado, justificando a alta no preço, já que uma oferta restrita e uma demanda crescente, unidos a um mercado cambial de dólar valorizado, nos gera a possibilidade uma produção pouco mais valorizada em 2021.

Válido lembrar que, o custo dos insumos de produção da pecuária, também sofreu aumento e deve continuar reduzindo o número de rebanho disponível.

Apesar dos preços elevados até novembro de 2020, entramos em dezembro com um preço um pouco menor que a média, cerca R$ 260,42 a arroba do boi. Nesta época, é comum o comportamento de alta de preço perder força, em vista da redução de negociação, uma vez que as indústrias já se abasteceram para o fim do ano.

Entre os eventos atípicos em 2020, podemos considerar a paralização momentânea da JBS em Mato Grosso do Sul, que nada teve a ver com a Covid-19, mas com uma estratégia de redução de preço. Em anos anteriores a 2018, o preço máximo foi de R$ 150 por arroba. Essa cadeia estimulou uma redução de consumo de carnes nobres no país, inclusive em Mato Grosso do Sul. Uma realidade persistente, pois o preço futuro, previsto para o início de 2021, está pelo menos 30% maior.

A pecuária segue se apresentando como uma atividade muito atrativa para o produtor rural. E 2021 deve se apresentar novamente como uma vasta oportunidade para aqueles que se organizarem, principalmente quanto à gestão e sustentabilidade, valores da pecuária moderna.

Por Rafael Gratão*

Fonte : Canal Rural

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