OPINIÃO | PAULO ROBERTO NICOLA | O atual mercado e a venda da soja

Com a queda no preço da soja vieram as consequências esperadas. O alto lucro obtido no período anterior, ocasionado pela excessiva valorização da oleaginosa, mascarou custos que aumentaram desproporcionalmente e que, forçosamente, terão de ser revistos. Entre esses fatores, o alto índice de endividamento ocasionado pela euforia do mercado, o transporte e o armazenamento ruins e os arrendamentos acima do nível aceitável.
Transporte nem se fala. Nossas estradas são degradadas. Porto, então, pior ainda. Quem paga um navio atracado por até 60 dias? São quilômetros de caminhões parados por diversos dias. E há montanhas de milho a céu aberto. Todas essas despesas se refletem em custos e fazem a diferença quando os estoques se ajustam, como ocorre hoje.
Com tudo isso, teremos de administrar melhor ainda nossa atividade e alguns cuidados se fazem necessários, entre os quais, o aumento de produção, os ajustes em equipamentos desnecessários, a liquidez e uma boa política de comercialização. Precisamos ficar atentos aos insumos que, de uma maneira geral, sobem de acordo com o valor da soja e não baixam mais, como ocorreu em 2008.
Aumentar significativamente a produção não significa, necessariamente, comprar equipamentos novos que agilizem o plantio ou a colheita. Tem tudo a ver com o aproveitamento do potencial produtivo do solo. A agricultura de precisão, atualmente praticada por apenas 25% dos produtores, é uma amostra do potencial de crescimento da produção. O grande investimento é em fertilização, pois equipamentos podem até ser terceirizados.
Precisamos ficar atentos aos juros. Financiamentos agrícolas são essenciais para a atividade rural, e a produção suporta esse custo. Se excessivo, porém, pode inviabilizar o negócio. Temos de ter a consciência de que esta é a situação normal. A fase de preços altos passou e só retornará caso os estoques mundiais sofram variações significativas, como ocorreu em 2012, com a seca em três dos maiores produtores de soja do mundo (Estados Unidos, Brasil e Argentina).

Fonte: Zero Hora

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