OPINIÃO | Brusone: uma velha inimiga do arroz

A brusone do arroz ou piricularia é uma doença própria da cultura que tem causado perdas importantes nas safras recentes do Rio Grande do Sul. Ataca as folhas e a panícula e é causada por um fungo (Pyricularia oryzae). O ataque é favorecido quando se unem três condições: cultivar suscetível, manejo agronômico favorável à doença (altas fertilizações nitrogenadas, densidades elevadas, desbalanceamento nutricional, semeaduras tardias, estresse por falta de água, etc) e fatores climáticos favoráveis (temperatura e alta umidade relativa). As perdas são consideráveis quando se usam cultivares suscetíveis, principalmente se a incidência ocorre na panícula, já que causa esterilidade total dos grãos. A brusone tem convivido com o arroz há muito tempo (coevolução) e é provável que as mudanças no clima ajudem ainda mais o fungo. Devemos aprender a conviver com a doença com uma estratégia de manejo integrado.
O princípio fundamental é a combinação de ferramentas para atingir controle efetivo. No caso da brusone, consideram-se a resistência genética dos cultivares utilizados e o manejo agronômico adequado, incluído o uso criterioso de fungicidas.
A resistência genética é um excelente método de controle, pois já vem incluída na semente e é completamente amigável com o ambiente, porém, sempre existe a pergunta da durabilidade. Devido à coevolução entre patógeno e cultura, o fungo sempre conseguirá quebrar a resistência. O objetivo é reduzir o máximo a probabilidade dessa quebra da resistência e estar um passo à frente do fungo. Para conquistar este objetivo, é fundamental conhecer muito bem o patógeno, ou seja, estudar variabilidade e evolução mediante o monitoramento contínuo das raças do fungo.
Com isso, é possível desenhar estratégias de melhoramento para acumular os genes de resistência efetivos. Ao mesmo tempo, evitar a semeadura do igual cultivar em grandes extensões e ter diversidade genética de cultivares na propriedade. Não somente devemos utilizar cultivares resistentes, mas também utilizá-las de maneira criteriosa para que se assegure a durabilidade da resistência.
Para a RiceTec o aumento da competitividade e da produtividade do arroz no Brasil é fundamental para o sucesso do negócio. É vital aliar esforço público e privado para entender a diversidade do patógeno e, desta forma, poder planejar estratégias para aumentar a resistência genética à brusone do arroz.

EDGAR ALONSO TORRES TORO* AGRÔNOMO, DOUTOR EM GENÉTICA E MELHORAMENTO DE PLANTAS E DIRETOR DE PESQUISA DA RICETEC MERCOSUL

Fonte: Zero Hora

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