Oferta de açúcar cai na Ásia e eleva preço internacional

O andamento da produção de açúcar na Ásia tem decepcionado quem esperava uma recuperação após a quebra na última temporada provocada pelo El Niño. Tanto na Índia como na Tailândia, segundo e terceiro maiores produtores de açúcar respectivamente, a produção tem ficado abaixo da safra passada, sustentando os preços internacionais da commodity.

Na Índia, a quantidade de usinas operando é menor que na safra passada devido à falta de cana para garantir a moagem. Até o último dia 15, havia 399 usinas em atividade, 93 a menos do que na mesma época do ano passado, segundo dados divulgados ontem pela Associação Indiana de Usinas de Açúcar (ISMA, na sigla em inglês).

A produção desde o início da safra 2016/17 até a metade deste mês somou 10,48 milhões de toneladas, 500 mil toneladas a menos que no mesmo período da safra passada, uma queda de 4,5%.

A situação é mais grave no principal Estado produtor, Maharashtra, onde a quantidade de usinas em operação até o dia 15 era de 149 – 23 a menos do que na mesma data do último ano.

Na Tailândia, segundo maior exportador mundial de açúcar, estima-se que a produção da safra atual deva cair 3% ante o ciclo passado, quando foram produzidas 9,7 milhões de toneladas. Com a seca que atingiu o país no último ano, muitos produtores migraram de cultura.

Quanto à China, a produção deve crescer 1 milhão de toneladas, para 10,5 milhões de toneladas, mas o consumo também segue em ascensão, com a estimativa de acrescentar 400 mil toneladas ao patamar da safra passada.

"Pouco muda em termos de necessidade de compra. No ano passado, a China comprou menos, mas teve muito contrabando. A China vai precisar comprar por causa do déficit interno", disse Bruno Lima, analista da FCStone.

A quebra de safra de Índia e Tailândia ocorre em um momento em que as atenções globais do mercado de açúcar estão voltadas para a Ásia, já que esta é a época do pico da safra na região, enquanto o Brasil segue em entressafra.

Esse enxugamento da oferta asiática tem potencializado neste mês a tendência de alta dos preços do açúcar, que vem desde 2016 em meio à segunda temporada seguida de déficit de oferta.

Desde o início do ano, os contratos futuros do açúcar demerara na bolsa de Nova York subiram entre 3% e 6%. Os papéis com vencimentos no curto prazo apresentam altas maiores e cada vez mais distantes dos contratos com vencimentos mais longos.

Em relação ao mesmo período de safras anteriores, a variação é ainda maior. O valor médio do contrato de segunda posição do açúcar na bolsa nova-iorquina neste mês, até ontem, ficou em 20,41 centavos de dólar a libra-peso – 45% a mais do que o valor médio de janeiro do ano passado e 31% acima do valor médio do mesmo mês de 2014, de acordo com levantamento do Valor Data.

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor

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