Oferta ampla pressiona cotações do café em NY

Com produção em alta e exportações pujantes, o mercado do café não tardou em dar sinais de retração nos preços. Ontem, na bolsa de Nova York, os papéis para maio fecharam a 96,80 centavos de dólar a libra-peso, queda de 305 pontos também influenciada por uma onda de aversão a risco. O valor é o menor desde 18 de setembro de 2018, quando os contratos também para maio bateram em 95,85 cents.

De acordo com o analista Thiago Cazarini, da Cazarini Trading Company, os especuladores estão com as posições vendidas frente à expectativa de uma safra generosa no Brasil, maior produtor mundial do grão. Na temporada 2019/20, é esperada colheita de 50,48 milhões a 54,48 milhões de sacas, segundo o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Os números são de 18,1% a 11% inferiores aos da temporada anterior, quando foram colhidas 61,6 milhões de sacas, mas apenas em razão da bienalidade negativa, que reduz a produção nos cafezais, especialmente da espécie arábica.

Segundo Rodrigo Costa, diretor da trade Comexim USA, é nítido que não há aperto nenhum na oferta e os especuladores estão de olho nisso. Para o analista Guilherme Morya, do Rabobank, contribuem para a pressão baixista as colheitas do Vietnã (que vai de dezembro a fevereiro) e da Colômbia (concentrada, principalmente, de outubro a janeiro), que neste momento vão chegando ao mercado.

Conforme a Federação Nacional de Produtores de Café da Colômbia, no mês de janeiro, a produção foi 14,6% superior à observada no mesmo mês do ano passado e chegou a 1,3 milhão de sacas. Esse foi o pico da colheita.

Por Marina Salles | De São Paulo

Fonte : Valor

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