Ofensiva para exportar cortes nobres de angus

Rebanho angus em fazenda de Santa Vitória do Palmar (RS); novo selo de qualidade tem garantido preços melhores aos pecuaristas no exterior e no Brasil
Após o reconhecimento pelo Ministério da Agricultura, em maio, do selo de qualidade "Brazilian Angus Beef", a Associação Brasileira de Angus (ABA) iniciou uma ofensiva comercial, em parceria com frigoríficos, para abrir mercado para cortes nobres da raça na União Europeia (UE). Os embarques com o selo começaram a ser feitos há dois meses pela Marfrig, que prevê despachos regulares semanais de 12 a 13 toneladas para Alemanha e Holanda já no fim de outubro.

O produto é o primeiro a ser exportado pelo setor agropecuário brasileiro com identificação de raça, graças à adesão da ABA à Plataforma de Gestão Agropecuária (PGA), instituída em agosto pelo Ministério da Agricultura em parceria com a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) para melhorar a rastreabilidade e fiscalização dos produtos de origem animal. Até agora as carnes brasileiras eram vendidas no mercado externo sem diferenciação.

Em suas primeiras vendas, a Marfrig obteve de 5% a 10% de sobrepreço em comparação com a cotação média da carne bovina desossada e resfriada exportada pelo Brasil para a UE, que segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) foi de US$ 10,6 mil por tonelada em 2014 e de US$ 9,7 mil entre janeiro e agosto deste ano. "No mês de novembro, o percentual deve chegar a 15%", diz o diretor comercial da Marfrig Beef Brasil, Alisson Navarro.

O bloco europeu já paga 65% acima da média global pela carne desossada e resfriada brasileira, e, conforme o gerente do Programa Carne Angus da ABA, Fábio Medeiros, a meta é chegar a 2019 com embarques de 4 mil toneladas por ano para a região dentro da chamada cota Hilton, que tem tarifas mais vantajosas.

O trabalho faz parte do projeto "Brazilian Beef", desenvolvido em parceria pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e que reúne frigoríficos de nove empresas localizados oito Estados, diz Medeiros.

Segundo ele, o selo da ABA, que avalia critérios como rastreabilidade, idade dos animais e condições de terminação, obteve ainda a chancela da certificadora alemã TÜV Rheinland. O plano da associação inclui a promoção de cortes nobres como filé mignon, contrafilé, filé de costela e alcatra nas principais feiras de alimentos da região – Anuga, na Alemanha, e Sial, na França -, mas outros mercados, como a Itália, também estão na mira. Fora da UE, a ideia é chegar aos Emirados Árabes Unidos.

O esforço pela valorização da raça de gado bovino já rendeu preços diferenciados para o produto também no mercado interno – hoje de 20% a 30% acima da carne "commodity", afirma Medeiros. No campo, os criadores também recebem ágio de cerca de 10% em comparação com o que conseguiriam na venda de um novilho padrão da raça nelore, por exemplo, explica. De acordo com ele, o volume de abates vinculados ao Programa Carne Angus deve chegar a 400 mil novilhos neste ano em todo o país, ante 330 mil em 2014.

Mais sobre exportação: Exportações do campo caíram 12% até setembro

Por Sérgio Ruck Bueno | De Porto Alegre

Fonte : Valor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *