Oeste da Bahia declara estado de emergência fitossanitária por causa da helicoverpa

No Paraná, pesquisadores começam a encontrar inimigos naturais da lagarta nas plantações de soja

Janaina Camelo | Brasília (DF)

Edson Hirose, Arquivo Embrapa Soja

Foto: Edson Hirose, Arquivo Embrapa Soja

Controle da lagarta é para evitar os prejuízos estimados na safra passada, de cerca de R$ 2 bilhões em lavouras de algodão na região

Foi divulgado no Diário Oficial da União desta segunda, dia 4, estado de emergência fitossanitária no oeste da Bahia, devido à presença da Helicoverpa armígera. A adoção de medidas, visando ao controle da lagarta, é para evitar os prejuízos estimados na safra passada, de cerca de R$ 2 bilhões em lavouras de algodão na região. A medida tem validade de um ano.

O estado de emergência fitossanitária permite que os produtores do oeste baiano importem agrotóxicos não registrados para controlar a lagarta, sem passar pelos trâmites dos ministérios do Meio Ambiente e da Saúde. Essa importação emergencial foi regulamentada pela presidente Dilma Rousseff, na semana passada, e dá autonomia ao Ministério da Agricultura para autorizar a importação temporária de produtos não autorizados. No entanto, eles devem obedecer a determinados critérios técnicos, como a comprovada eficiência e a não implicação em riscos ao meio ambiente e à saúde pública.

Controle biológico

O avanço da lagarta em diferentes culturas, além do milho, soja e algodão, faz com que pesquisadores busquem alternativas naturais para solucionar o problema. O tomate é o mais recente alvo da lagarta. Há cerca de dois meses, vestígios da praga foram encontrados em tomateiros no Centro-Oeste. Orientados por pesquisadores da Embrapa Hortaliças, produtores têm testado a vespa trichogramma, que parasita os ovos da lagarta, para reduzir a infestação.
– Temos outras possibilidades, como uma outra vespinha que coloca os ovos na lagarta, seria o campoles. Ainda temos a possibilidade das pequenas moscas chamadas loineas. Já estamos nos aperfeiçoando em métodos de produção em grande escala e liberação do trichogramma, depositando para várias culturas como a soja, o algodão e o milho e buscando novas possibilidade de pesquisa nessa área – relata o pesquisador da Embrapa Hortaliças Miguel Michereff Filho.

Os insetos podem atacar em média 30% dos ovos que acometem uma determinada plantação. Mas um resultado eficaz só é possível com o manejo integrado de pragas, associando defensivos biológicos e agrotóxicos seletivos. Os especialistas advertem para o excesso de substâncias químicas usadas pelos produtores.

– Isso é uma atitude que deve ser repensada, porque o que eles praticam muitas vezes são misturas de seis a oito produtos diferentes, muitas vezes usando piretroides e fosforados. Esses dois grupos de inseticidas são mais nocivos aos inimigos naturais e principalmente à vespa trichogramma – explica Miguel Michereff Filho.

Encontrar os inimigos naturais da helicoverpa é o principal objetivo dos pesquisadores, já que uma das principais características da praga é a resistência aos inseticidas. As últimas análises em busca de métodos para controle da lagarta foram feitas em plantações de soja, cultura que está no início da plantação em todo o país. Nas amostras da lagarta presente em lavouras do Paraná, por exemplo, os pesquisadores encontraram vestígios da ação de parasitas e também dos chamados nematoides – doenças provocadas por inimigos naturais da helicoverpa e que também podem ser uma saída contra a disseminação da praga.

– Numa região especifica perto de Curitiba nós verificamos que 30% do material estava infectado por esse nematoide – mas esses são dados preliminares, a pesquisa não terminou ainda. A gente não sabe exatamente porque ele está regionalizado, isso só os estudos vão nos mostrar. Na questão do parasitismo, temos visto também em torno de 30% do que está chegando ao laboratório já está atacado por parasitoides.  Essa é uma boa notícia, porque está nos indicando que já no início do desenvolvimento da soja temos uma semente de inimigos naturais que poderá fazer o controle natural dessa praga – diz Clara Beatriz Hoffman, pesquisadora da Embrapa Soja.
Plano estadual de manejo

O Estado da Bahia aprovou, na quinta, dia 30, o Programa Fitossanitário. O passo seguinte é definir as estratégias para as ações de campo, que deverão ser iniciadas a partir do dia 18 de novembro. As ações serão coordenadas pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) e pela Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa).
O presidente da Aiba afirma que haverão reuniões com os produtores nas comunidades para falar sobre a situação da lagarta helicoverpa no Estado, apresentar o Programa Fitossanitário e explicar a importância de colocá-lo em prática. Orçado em R$ 6,3 mil, o Programa Fitossanitário da Bahia deverá ser custeado com recursos dos produtores rurais, empresas privadas e governo do Estado. Conforme o diretor da Abapa, Celito Missio, a iniciativa tem tudo para dar certo, já que partiu dos próprios produtores.
A estrutura do Programa é divida em: grupo de Calendário de Plantio e Vazio Sanitário, que define prazo para a duração e a posição do vazio sanitário, datas de plantio e colheita das culturas, porcentagem de refúgio para as culturas de milho e algodão e as estratégias de uso do refúgio estruturado; o grupo de Agentes de Controle Biológico, que faz testes com parasitóides, bactérias, fungos e vírus para combater a Helicoverpa spp; o grupo de Áreas Irrigadas, que estabelece a eliminação mecânica de pupas, o uso intensivo de produtos biológicos e inimigos naturais para o controle de pragas e o uso de armadilhas e iscas tóxicas, e o grupo de Controle de Pupas (sequeiro e irrigado), o qual estabelece métodos de amostragem de pupas no solo e o levantamento de espécies inimigas naturais de pupas.
>> Helicoverpa está presente em 100% das lavouras de Vera (MT)

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Fonte: Ruralbr

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