Odebrecht fará novo aporte em açúcar e etanol no Brasil

A Organizações Odebrecht vai realizar um novo aumento de capital na Odebrecht Agroindustrial, braço sucroalcooleiro da maior construtora do país. Ao Valor PRO, serviço de tempo real do Valor, Luís de Mendonça, presidente do negócio de açúcar e etanol, não revelou o montante, mas garantiu que será superior à última capitalização, de R$ 836 milhões, feita ano passado.

Mendonça antecipou ainda que, além dessa injeção direta de dinheiro no caixa, também haverá o aporte de ativos. Nessa frente, ele afirmou que as unidades de cogeração a partir da biomassa da cana – transferidas em 2014 para uma outra empresa do grupo – podem voltar ao guarda-chuva da divisão sucroalcooleira. "A dívida desse negócio é relativamente pequena e está no longo prazo. Além disso, sua geração de caixa é importante, na casa dos R$ 300 milhões anuais", justificou.

Os detalhes dessa operação serão definidos até o fim deste ano, garantiu o executivo. "A intenção é que essa capitalização traga mudanças importantes na estrutura de capital da companhia, atualmente formada em quase sua totalidade por dívida".

Questionado se a decisão de colocar mais recursos próprios no negócio é efeito de uma eventual dificuldade de acessar novos empréstimos em função dos desdobramento da Operação Lava-Jato – que culminou na prisão, há mais de cem dias, do presidente do grupo, Marcelo Odebrecht -, Mendonça afirmou que a companhia continua seu relacionamento com o mercado financeiro, na medida que segue rolando dívidas. "Não estamos buscando dinheiro novo. Já havíamos concluído os investimentos em expansão industrial. Esse aumento de capital vai tornar as discussões com o mercado financeiro mais fáceis", disse.

Mendonça observou ainda que o aporte privado é necessário em um cenário de incertezas no país. "Nesse cenário, não seria razoável ter uma empresa só com dívida, sem capital dos sócios", disse Os recursos advindos do aumento de capital não serão usados para reduzir o endividamento que, em 31 de março deste ano era de R$ 13,4 bilhões. E, sim, para renovar canaviais.

Serão destinados, conforme o executivo, R$ 400 milhões anuais para esse fim. Com uma capacidade para processar 36 milhões de toneladas de cana por safra, a Odebrecht Agroindustrial espera moer de 28 milhões a 29 milhões na atual temporada, a 2015/16. "Faltam ainda 6 milhões de toneladas para encher toda a nossa capacidade. Muito desse aumento virá do crescimento da produtividade nas áreas já existentes", explicou Mendonça. Ao todo, a Odebrecht Agro tem 460 mil hectares plantados com cana em São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul.

Ele observou que a necessidade de abertura de novas áreas de cana na companhia é pequena, a despeito dos planos de atingir a moagem de cana de 36 milhões de toneladas em quatro anos. Isso porque a produtividade vem tendo saltos grandes, uma vez que, desde que entrou nesse setor, há sete anos, a companhia ganhou experiência agrícola. "Em um ano, ampliamos em 5 milhões de toneladas nossa moagem. A maior parte desse crescimento veio de ganho de produtividade".

Por Fabiana Batista | De São Paulo

Fonte : Valor

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