Odebrecht deve separar cogeração

Em linha com o que vem ocorrendo com outras sucroalcooleiras, a Odebrecht Agroindustrial, braço de açúcar e álcool do grupo Odebrecht, deverá separar os ativos de cogeração de energia da operação canavieira em uma nova empresa.

A Odebrecht afirma que a possibilidade está em estudo, com o objetivo de ampliar ganhos de sinergia no próprio grupo, uma vez que a cogeração não seria vendida, mas incorporada a outros ativos semelhantes da companhia. Se concretizada, a operação também deverá reduzir a dívida bancária da sucroalcooleira, hoje equivalente a cinco vezes sua receita líquida.

Segundo fontes consultadas pelo Valor, entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões desse endividamento com bancos poderia ser repassado à nova empresa, que concentraria ativos de energia renovável do grupo. Apesar de a companhia negar com veemência que tenha qualquer intenção de se desfazer desse ativo, a avaliação no mercado é que o movimento permitirá à Odebrecht Agroindustrial, no futuro, vender total ou parcialmente a cogeração a investidores estratégicos, a exemplo do que outras usinas vêm fazendo.

A empresa detém uma das maiores capacidades de cogeração de energia a partir do bagaço de cana do Brasil. São 816 megawatts (MW) de potência instalada. Nesta safra 2013/14, a previsão é de vender cerca de 1,7 mil gigawatts/hora de eletricidade.

O presidente da Odebrecht Agroindustrial, Luiz de Mendonça, garante que, até este momento, nenhuma decisão foi tomada, apesar de reconhecer que a companhia estuda a possibilidade de separar os ativos. Se esse plano for adiante, diz ele, haveria a transferência dos ativos, da receita e também da dívida correspondente à cogeração.

Ele não quis comentar os valores em análise. No entanto, lembrou que, desde que foi criada, ainda com a denominação ETH Bioenergia, a Odebrecht Agroindustrial investiu cerca de R$ 10 bilhões no negócio de processamento de cana-de-açúcar no Brasil. Desse montante, em torno de R$ 1 bilhão foram investimentos específicos na parte industrial de cogeração nas nove usinas do grupo.

"Mas o ativo de energia não se limita aos equipamentos industriais. O ativo agrícola (cana), que é o que demanda mais investimentos, também compõe o pacote de cogeração", diz Mendonça.

Ele afirma que, se acontecer, a separação dos ativos não será um "spin off", ou seja, uma segregação para venda do negócio. "Esse ativo vai ficar dentro do grupo, que já tem outros negócios na área de energia. O objetivo é capturar ganhos de sinergia dentro da organização".

Os ativos de energia das usinas de cana do Centro-Sul vêm tendo mais liquidez de venda que os ativos de fabricação de açúcar e etanol, com cotações neste momento depreciadas. Basicamente, dois formatos de negociação são mais comuns, segundo o consultor da FGAgro, Luiz Cláudio Barreira.

No primeiro modelo, a usina vende a estrutura de cogeração já existente, geralmente, para concessionárias de energia. Estas usam (vendem a eletricidade) o ativo em contratos de 15 a 20 anos (geralmente fazem investimentos para ampliá-lo). Durante esse período, a usina usa apenas o vapor para operar a planta industrial de açúcar e álcool e somente recebe o ativo de volta após o vencimento do contrato.

Um segundo formato é adotado por usinas que ainda não têm os ativos de cogeração. Elas vendem o projeto (ou parte dele) para um investidor, fornecem o bagaço da cana e usam o vapor para a operação sucroalcooleira. O excedente da eletricidade fica para o parceiro (ou parte para a usina, dependendo do acordo), também até o vencimento do contrato.

Entre as usinas do Centro-Sul que adotaram um desses modelos estão as três unidades do grupo Tonon Bioenergia, a usina Andrade, controlada pela Guarani (Tereos Internacional), além das três plantas industriais do grupo paulista Usina da Pedra.

Barreira diz que a tendência é de um aumento desse tipo de negociação no setor, sobretudo com a piora do mercado de captação de dívida no exterior e com a própria restrição de crédito às usinas no mercado interno. "É uma forma de capitalização relativamente rápida. Muitos grupos no Centro-Sul estão nos procurando para realizar esse tipo de operação", afirma o consultor.

Mas esse não é o caso da Odebrecht Agroindustrial, garante Mendonça. Não há interesse em vender os ativos, tampouco o foco neste momento é a desalavancagem, segundo o presidente da empresa. Na última temporada encerrada em 31 de março, a Odebrecht Agroindustrial teve prejuízo líquido de R$ 1,241 bilhão.

A BNDESPar detém 14,37% de participação na Odebrecht Agroindustrial, que é controlada pelo grupo Odebrecht, com 56,03%. Os fundos Ashmore e Tarpon detêm 13,10% e 2,45% da empresa respectivamente. A japonesa Sojitz Co. tem 12,23% e a Sojitz Brasil, 0,83%. Neste ciclo 2013/14, o grupo deve ter uma moagem de 7% a 8% abaixo do esperado, devido a ocorrência de geadas nas usinas de Mato Grosso do Sul.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo

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