O paradigma do alimento barato em tempos de demanda em alta

Fonte:  Globo Rural

 

Colheita de milho nos EUA: 300 milhões de toneladas (foto: Shutterstock)

Hoje há 6 bilhões de pessoas no mundo, das quais 1 bilhão passa fome. O paradigma do alimento barato foi discutido hoje, em São Paulo, no 10º Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). Até 2004 o índice de desnutrição decresceu, a despeito do aumento das cotações das commodities, mas voltou a crescer a partir de 2007. O Brasil, como grande fornecedor eexportador, tem conseguido diminuir seus custos de produção, mas os preços das commodities seguem em alta. Especialistas discutiram as tendências na produção de alimentos no Brasil e no mundo.

Para o economista José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados, existe uma mudança aparente nos preços das commodities agrícolas. Segundo ele, no século XX os preços dos alimentos foram comandados pela oferta, e atualmente as cotações são formadas pela demanda. Desde 1975 os preços dos alimentos vêm caindo em função do aumento da produção agrícola. Esta tendência foi verificada até meados da década atual. A partir de 2002 a demanda começa a dirigir os preços dos alimentos e há um aumento das cotações que reflete uma série de fatores, entre os quais se destacam o crescimento da população e a taxa de urbanização, aumento da renda em países em desenvolvimento, mudança nos padrões alimentares, os mandatos de biocombustiveis que aumentam a demanda por grãos ou cana, e a desvalorização do dólar e fundos em commodities agrícolas. “O dólar seguirá relativamente fraco nos próximos meses, o que ajudará a impulsionar as commodities. No mundo emergente pouco muda com as crises econômicas que se anunciam nos países”, estima Mendonça de Barros.

No Brasil a demanda também continurá crescente, “e a crise internacional não deve mudar este cenário, que poderia vir a ser alterado somente se houvesse queda de consumo na Ásia. Hoje o que pode acontecer é a queda do preço do petróleo, dos atuais US$ 105 por barril, para US$ 80″, avalia o economista.

E o Brasil está preparado para atender essa demanda? Para Mendonça de Barros, até agora o setor brasileiro foi bem-sucedido, mas precisa reduzir a dependência da China e elevar a produção de energia renovávelavançando nos biocombustíves de segunda e terceira geração. “Além disso, é caro produzir no Brasil, e novas restrições vão surgir, como redução do uso da água e queima de florestas, entre outras”, prevê.

Na avaliação de José Milton Dallari, diretor da Decisão Consultoria Associados, a participação do Brasil no cenário internacional não é expressiva a ponto de pressionar os preços dos alimentos. “O Brasil – que é chamado de ‘celeiro do mundo’ – produz 160 milhões de toneladas de grãos, enquanto os Estados Unidos produzem mais de 300 milhões de toneladas só de milho”, diz Dallari.

José Antonio do Prado Fay, presidente da Brasil Foods, entende que o alimento é hoje o item mais importante de um país. Isso porque, segundo ele, apesar de o país ser, por exemplo, um grande exportador de proteínas, os grandes compradores importam apenas 10% do que consomem. “Daí a necessidade de se investir na produção em outros continentes. É a unica maneira de participarmos efetivamente dos mercados locais e reduzir os custos dos alimentos”, avalia Fay.

Luciana Franco

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