JBS / Divulgação
Setor alega que testou trabalhadores em massa e renova protocolos frequentementeJBS / Divulgação

Os casos de trabalhadores de frigoríficos infectados pelo coronavírus no Rio Grande do Sul repercutem além dos locais onde existem unidades das empresas. Atualmente, o Estado teria 83 municípios com moradores que trabalham nos abatedouros das 23 cidades nas quais há casos confirmados de covid-19. É o que estima Ernesto Pereira Galindo, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e doutorando em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A partir do cruzamento de dados do Censo Demográfico, dos Ministérios da Economia e Saúde e do Ministério Público do Trabalho (MPT), Galindo está mapeando a relação entre os fluxos da mão de obra empregada pelo setor e a evolução da doença no país. Ainda que a pesquisa siga em andamento, o pesquisador diz que é possível identificar forte relação entre a situação dos frigoríficos e o processo de interiorização da doença.

– Não significa que os frigoríficos necessariamente levaram o vírus para o Interior, mas a velocidade de contaminação nestes municípios, sim, tem relação com eles – sintetiza.

Até a semana passada, o MPT-RS identificava 5,1 mil casos de coronavírus em trabalhadores de 32 frigoríficos com base em 23 municípios gaúchos. Isso representa cerca de 25% do total de infectados no Estado. Nesse sentido, Galindo lembra que a atividade é caracterizada pelo uso intensivo de mão de obra e, por isso, cada planta costuma mobilizar empregados de municípios próximos às unidades de processamento.

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, rebate o diagnóstico de que os frigoríficos são protagonistas da interiorização do coronavírus.

– Nenhuma atividade teve tantos testes como a nossa – lembra Turra.

Turra ainda diz que muitos dos casos positivos foram identificados com testes rápidos, que têm menor precisão nos resultados. Além disso, o dirigente ressalta que a fabricação de alimentos é uma atividade essencial e não pode parar. Por isso, os protocolos vêm sendo atualizados permanentemente pelo setor para evitar a contaminação no ambiente de trabalho.

Fonte: Zero Hora