O papel dos frigoríficos na interiorização do coronavírus no RS

Levantamento aponta 83 municípios com moradores que trabalham no setor nas 23 cidades com abatedouros nos quais há casos confirmados de covid-19

FERNANDO SOARES
O jornalista Fernando Soares colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
JBS / Divulgação
Setor alega que testou trabalhadores em massa e renova protocolos frequentementeJBS / Divulgação

Os casos de trabalhadores de frigoríficos infectados pelo coronavírus no Rio Grande do Sul repercutem além dos locais onde existem unidades das empresas. Atualmente, o Estado teria 83 municípios com moradores que trabalham nos abatedouros das 23 cidades nas quais há casos confirmados de covid-19. É o que estima Ernesto Pereira Galindo, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e doutorando em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A partir do cruzamento de dados do Censo Demográfico, dos Ministérios da Economia e Saúde e do Ministério Público do Trabalho (MPT), Galindo está mapeando a relação entre os fluxos da mão de obra empregada pelo setor e a evolução da doença no país. Ainda que a pesquisa siga em andamento, o pesquisador diz que é possível identificar forte relação entre a situação dos frigoríficos e o processo de interiorização da doença.

– Não significa que os frigoríficos necessariamente levaram o vírus para o Interior, mas a velocidade de contaminação nestes municípios, sim, tem relação com eles – sintetiza.

Até a semana passada, o MPT-RS identificava 5,1 mil casos de coronavírus em trabalhadores de 32 frigoríficos com base em 23 municípios gaúchos. Isso representa cerca de 25% do total de infectados no Estado. Nesse sentido, Galindo lembra que a atividade é caracterizada pelo uso intensivo de mão de obra e, por isso, cada planta costuma mobilizar empregados de municípios próximos às unidades de processamento.

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, rebate o diagnóstico de que os frigoríficos são protagonistas da interiorização do coronavírus.

– Nenhuma atividade teve tantos testes como a nossa – lembra Turra.

Turra ainda diz que muitos dos casos positivos foram identificados com testes rápidos, que têm menor precisão nos resultados. Além disso, o dirigente ressalta que a fabricação de alimentos é uma atividade essencial e não pode parar. Por isso, os protocolos vêm sendo atualizados permanentemente pelo setor para evitar a contaminação no ambiente de trabalho.

Fonte: Zero Hora

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