O óleo de nim e seu potencial uso em saúde e agricultura

 

Popularmente conhecida como nim, a Azadirachta indica A. Juss. é uma árvore de grande porte, clima tropical, resistente a seca e de crescimento rápido, nativa do subcontinente indiano. Hoje presente em diversas partes do mundo, o nim produz como principal metabólito o composto azadiractina. Este composto pode ser encontrado e extraído de diversas partes da planta (caule, folhas e sementes), sendo a maior concentração presente nas sementes.
Na Ásia, o nim tem sido usado há mais de dois mil anos para o tratamento de doenças e controle de pragas. Com uma vasta gama de propriedades, atualmente, o uso de seus extratos se destaca como inseticida natural e repelente de insetos, pois apresenta ação contra amplo grupo de organismos, além de ser biodegradável, não prejudica o meio ambiente e não é tóxico ao homem.
Devido também as suas propriedades medicinais o óleo de nim tem sido utilizado na medicina popular para tratar diversos tipos de doenças, em especial as doenças de pele, pois reduz a inflamação e acelera a cicatrização da pele danificada, auxiliando no combate a catapora, erupções cutâneas, feridas, micoses, acnes, caspas entre outras. Suas propriedades antibacterianas, também tem despertado grande interesse uma vez que pode tratar doenças como gengivite e prevenir a formação de placa bacteriana.
No campo veterinário, o nim também vem ganhando destaque, uma vez que apresenta efetividade contra carrapatos, larvas de berne e para o combate a mastite, doença que acomete diversos rebanhos no Brasil, influenciando na produção de leite. Desta maneira, as indústrias farmacêuticas e de produtos de limpeza já estão utilizando o óleo de nim como ingrediente para diversos tipos de produtos (sabonetes, xampu, condicionador, cremes hidratantes entre outros).
Na agricultura, produtos à base de nim podem ser utilizados para o combate de pragas em diferentes tipos de culturas, sejam eles na forma de pó, extratos aquosos ou soluções de óleo emulsionável.
O nim tem demostrado eficácia para combater diferentes espécies de pragas, entre elas a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) a principal praga da cultura do milho no Brasil, a qual ocorre em todas as regiões produtoras, atacando a planta desde sua emergência até a formação de espigas. As propriedades repelentes do nim lhe conferem um potencial para utilização no combate ao mosquito da dengue. Outra importante característica do óleo de nim é que pela presença de diferentes componentes em sua composição, há uma menor possibilidade para o desenvolvimento de resistência pelos insetos.
Nas últimas décadas, vem crescendo a busca por alternativas naturais, como os óleos essenciais, que sejam capazes de combater de forma eficiente as pragas que atacam a agricultura, a fim de minimizar os efeitos tóxicos dos compostos sintéticos que atualmente são utilizados em grande escala para este fim. Nesta perspectiva, um grupo de pesquisa do Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais do Instituto de Ciência e Tecnologia de Sorocaba da Unesp, liderados pelo dr. Leonardo Fernandes Fraceto vem reunindo esforços com o intuito de desenvolver nanoformulações contendo óleos essenciais de diversas espécies botânicas, dentre eles o óleo de nim. O principal enfoque destas nanoformulações é aumentar a eficácia desses produtos naturais, uma vez que estes possuem uma utilização limitada na agricultura, devido a sua alta sensibilidade a luz, umidade, temperatura e também à degradação por microrganismos. Desta maneira, o grupo pretende o desenvolvimento de produtos alternativos, à base de nim, para o combate aos diferentes insetos-pragas que acometem as lavouras brasileiras causando um enorme prejuízo aos agricultores e gerando assim um menor impacto ambiental.
Estefânia Vangelie Ramos Campos é doutoranda do Programa de Pós-graduação em Biologia Funcional e Molecular/Unicamp; Monica Pascoli e Jhones Luiz Oliveira são doutorandos do Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais da Unesp/Sorocaba; Gerson Araújo de Medeiros e Leonardo Fernandes Fraceto são professores da Unesp/Sorocaba

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Fonte : Jornal Cruzeiro