O governo federal vai propor ao Congresso Nacional um corte na contribuição de empresas para o Sistema S

A equipe econômica vai cortar a alíquota que as empresas recolhem para o Sistema S. O projeto está sendo preparado e será enviado em breve ao Congresso. O tamanho da redução ainda não está definido, mas pode chegar à metade do recolhimento atual. Isso significará um ganho imediato para as empresas que contribuem, por exemplo, para o Senai e Sesc. Vai sair menos dinheiro do caixa delas. As informações são da jornalista Miriam Leitão, do jornal O Globo. "Meter a faca" Em dezembro, o agora ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou o Sistema S, formado por entidades empresariais e que se dedica, entre outras coisas, ao ensino profissionalizante no País. A uma plateia de empresários reunidos na sede da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), Guedes criticou os custos do sistema. Para ele, os cortes nos programas precisam ser acentuados. "Tem que meter a faca no Sistema S",disse o então futuro ministro. "A CUT perde o sindicato e aqui fica tudo igual? O almoço é bom desse jeito e ninguém contribui? A gente tem de cortar pouco para não doer muito. Se o interlocutor é inteligente, preparado e quer construir, como o Eduardo Eugênio (Gouveia, presidente da Firjan) corta 30%. Se não, corta 50% – frisou Guedes, seguido de risadas da plateia que lotou o auditório da Firjan. Ele disse, ainda, que não "adianta cobrar sacrifícios dos outros e não dar o exemplo". Guedes não explicitou ao que se referia, mas a reforma trabalhista, aprovada no governo Michel Temer, acabou com o imposto sindical obrigatório, o que afetou as receitas de sindicatos e centrais sindicais, como a CUT. A assessoria de imprensa do futuro ministro informou que ainda não estavam definidos detalhes de como seria feito esse corte. Após a palestra de Guedes, o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio, afirmou aos jornalistas presentes que concordava com a necessidade de revisão nos custos, mas destacou a importância do investimento em qualificação de mão de obra. "As instituições no Brasil, privadas e públicas, merecem uma revisita para melhorarem os seus custos. O ministro Paulo Guedes, ao mesmo tempo que diz que quer cortar no orçamento dos ‘S’, diz que não quer prejudicar as coisas que dão certo, as escolas que estão funcionando, que estão entregando mudança de vida para as pessoas. Portanto, estamos muito tranquilos, porque é um objetivo comum", destacou Eduardo Eugênio. Ainda no final do mês passado o nome de Eduardo Eugênio foi confirmado para o comando do conselho nacional do Sesi. Em nota divulgada à imprensa, o então governo de transição afirmou que Bolsonaro "aprovou com satisfação" a escolha feita por Guedes. Sistema S O sistema S reúne entidades empresariais voltadas para o treinamento profissional, assistência social, consultoria, pesquisa e assistência técnica – serviços considerados de interesse público. Atualmente, 9 entidades compõem o sistema. Todas têm seu nome iniciado com a letra "S": Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial); Sesc (Serviço Social do Comércio); Sesi (Serviço Social da Indústria); e Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio). Existem ainda os seguintes: Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural); Sescoop (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo); e Sest (Serviço Social de Transporte).

Fonte: O SUL