O fator que sustenta projeção de alta de 27% na colheita de grãos do Brasil em 10 anos

Estudo do Ministério da Agricultura mostra que ganhos também devem ocorrer nas carnes e frutas

28/07/2020 – 18h37minAtualizada em 28/07/2020 – 18h37min
GISELE LOEBLEIN

A próxima década seguirá sendo de crescimento para a agropecuária brasileira. Estudo feito pelo Ministério da Agricultura mostra que tanto o resultado das lavouras quanto o da pecuária no ciclo 2029/2030 será maior do que o atual. Nos grãos, o acréscimo será de 67,4 milhões de toneladas, avanço de 27%. Na produção de carnes, as 6,7 milhões de toneladas representam aumento de 23,8% (veja gráfico). E, apesar de haver aumento de área nesse intervalo, o principal fator para a expansão será a ampliação do rendimento por hectare.

– Nossa produtividade cresce a uma taxa quase duas vezes maior do que nos Estados Unidos. O Brasil é um dos países de maior produtividade mundial. Isso é fundamental para manter o crescimento – pontua José Garcia Gasques, um dos responsáveis pela projeção e coordenador-geral de Avaliação de Política da Informação do ministério.

A área de grãos deve ficar 16,7% maior, bem abaixo do avanço no rendimento. E deve se dar sobretudo nas novas fronteiras agrícolas, como os Estados do norte do país, ou por meio da substituição de culturas. Tocantis deve expandir 30,7%, a maior variação percentual de área.

Em representatividade, o Centro-Oeste se manterá na dianteira. Para a Região Sul, o volume estimado é 22% superior, com alta de apenas 8,5% em área.

– Tanto Sul quanto Sudeste têm pouco crescimento de área previsto. Já são estabilizadas, e as terras, bastante valorizadas – acrescenta Gasques.

Feitas a partir da combinação de estatística e de percepção, as projeções têm o objetivo de servir como base para orientar a elaboração de políticas públicas que possam trabalhar gargalos a serem superados. Nesse cenário,  infraestrutura é um item considerado importante, sobretudo no Norte. Porque o ganho obtido nas lavouras pode se perder, literalmente, pelo caminho. Outro investimento necessário para garantir produtividades elevadas é em pesquisas.

Além de grãos, outros produtos ganham terreno dentro e fora de casa. É o caso das frutas e das carnes, itens que acompanham a evolução de renda mundo afora. E que devem ampliar seu espaço na pauta de exportações.

A manga, por exemplo, tem crescimento de embarques projetado em 57,6% para 2029/2030. O açúcar é o item de maior expansão na pauta brasileira: 57,9%. Entre as proteínas animais, a carne suína deve crescer 36,8%. Em representatividade, soja e frango se mantêm no topo.

Fonte: Zero Hora