O agro é tudo aquilo que o Brasil deve aprender a ser”, diz Eduarto Giannetti


O Seminário Perspectivas para o Agribusiness, realizado em são Paulo, não poderia ter um encerramento mais feliz. Em pouco mais de uma hora, o economista e escritor e filósofo Eduardo Giannetti da Fonseca falou do momento econômico brasileiro e mundial entremeando números com seu humor requintado.Giannetti ganhou a imensa plateia logo no início. Ele sacou a seguinte frase para explicar os  erros clamorosos dos economistas ao projetarem cenários futuros. “A meteorologia é o consolo da economia.” Alguém não entendeu? Eu respondo: ambas erram frequentemente.Foi aplaudido ainda ao afagar o ego dos representantes do agronegócio. “A agropecuária é tudo aquilo que o Brasil tem que aprender a ser. A atividade não depende de subsídios ou favores. Gostaria que o restante da economia agisse como os senhores.” No entanto, não ignorou a grave questão de o agronegócio replicar também o precípicio social brasileiro. Usando números do IBGE, Gianetti ressaltou que apenas 13% das propriedades são responsáveis por mais de 80% daquilo que o Brasil produz no campo.Esta é a leitura de Giannetti do momento econômico que o mundo atravessa. O cenário melhorou um pouco:  “A Europa está saindo do estado de emergência, enquanto os EUA entraram em fase de recuperação e deve funcionar plenamente no próximo ano.” Sobre os emergentes, o escritor afirma que eles estão num processo de desaceleração.

No caso da China, especificamente, Gianetti acredita que ela irá crescer pouco, porém com qualidade, beneficiando o Brasil do agronegócio. “Tudo indica que a China vai diminuir suas exportações e voltar-se para o mercado interno. Escreva: se isso ocorrer sem traumas, afeta positivamente as commodities agrícolas e negativamente as commodities minerais.”Voltando o olhar para dentro do país, Giannetti  interpreta que houve otimismo excessivo no exterior quando o país cresceu 7,5%, em 2010, e virou o queridinho do mercado. “Hoje, porém, vejo lá fora um pessimismo exagerado com o desempenho do país.” Já o brasileiro é otimista: “O Brasil ainda não é o que almejamos, mas não desaponta.”  Segundo Gianetti,  a economia ficou mais robusta e a crise internacional não vira mais pneumonia aqui dentro, como antigamente. “Conseguimos até baixar os juros”, ressalta. Para o escritor, o mercado interno vigoroso e dinâmico dá solidez ao crescimento.Economista liberal, Eduardo Gianetti observa que as reformas implantadas no primeiro mandato do presidente Lula (1983/1987) foram acertadas e colocaram o Brasil numa rota de crescimento consistente. “Já o governo Dilma tem uma coceira para o populismo, mas não entrou ainda” pontua.

Fonte: Globo Rural

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