O acesso à Região Sul

Os dois bloqueios temporários da principal ligação entre Porto Alegre e o sul do Estado, determinados segunda-feira pela Polícia Rodoviária Federal no quilômetro 366 da BR-116, depois de a pista ter sido invadida pela água, voltaram a chamar a atenção para a carência de alternativas de acesso a uma região tão importante. Ao mesmo tempo, preocupam por terem deixado evidente a falta de alternativa de ligação entre a área metropolitana e o Sul num horizonte de curto prazo. Essa é uma questão que diz respeito a todo o Estado e, por isso, deveria mobilizar a totalidade dos gaúchos.
O simples fato de o Porto de Rio Grande ser responsável pelo escoamento de quase 70% de tudo o que é produzido no Rio Grande do Sul já deveria ser suficiente para justificar a necessidade de mais acessos e em melhores condições. O recente alagamento fez com que a população atrasasse ou perdesse compromissos importantes e que uma quantidade incalculável de cargas ficasse à espera da liberação da pista. Quem não tinha como esperar precisou recorrer a uma rota alternativa que, no total, amplia o percurso entre Porto Alegre e Pelotas em quase cem quilômetros.
Ainda assim, apenas 20% das obras de ampliação da BR-116 já foram concluídas. E o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), responsável pelas rodovias estaduais, não dispõe de projetos de rotas alternativas à rodovia federal.
O Rio Grande do Sul, que não dá a atenção necessária a uma modalidade como ferrovias e não valoriza possibilidades como hidrovias, precisa começar, de imediato, a investir em providências efetivas nessa área. A recomendação, válida para todo o Estado, torna-se particularmente relevante quando surgem imprevistos como o da última segunda-feira.

Fonte: Zero Hora

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