Nutriplant conclui ampla reestruturação

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Ricardo Pansa, presidente da Nutriplant: com as mudanças, opção foi concentrar o negócio em fertilizantes foliares, que apresentam maiores margens de lucro

A Nutriplant vai terminar 2012 de cara e números novos. A companhia, que atua no segmento de micronutrientes para plantações, acaba de vender sua unidade de produtos de solo para a Mixfértil, por R$ 24,5 milhões. Essa transação ocorre na esteira de uma reestruturação que uniu Nutriplant e Quirios, ambas companhias controladas pela família Pansa. Os dois negócios fazem parte de uma reorganização dos negócios e das finanças das empresas.

Com essas decisões, a Nutriplant deixa de ser uma companhia apenas de micronutrientes, com receita líquida de R$ 29,5 milhões em 2011, e passa a ser uma empresa verticalizada, cuja receita líquida do ano passado teria ficado na casa dos R$ 85 milhões – já considerando o efeito do negócio com a Mixfértil, uma companhia nova no mercado.

Ricardo Pansa, presidente da companhia, explicou ao Valor que a opção estratégica foi concentrar a atuação nos produtos foliares, aplicados diretamente sobre as folhas das plantas, e não no solo. "Oferecem margem muito superior", justificou. Os micronutrientes ampliam a produtividade de culturas por meio de componentes complementares aos fertilizantes. "São os elementos básicos da tabela periódica", gosta de citar Pansa quando discorre sobre seu negócio.

A família Pansa entrou nesse mercado em 2004, justamente com a compra da Nutriplant. Na época, o negócio foi fechado justamente porque a fabricante de químicos Quirios – negócio original da família, fundado há quase meio século pelo pai e pelo tio de Ricardo – assistia a um aumento expressivo da demanda por parte da cadeia de micronutrientes e fertilizantes.

Agora, a estratégia familiar se consolidou em uma só companhia por meio da Nutriplant, listada no Bovespa Mais. Os Pansa que propuseram a combinação, mas foram os minoritários da Nutriplant que decidiram sozinhos pela incorporação, em assembleia de acionistas. A venda para a Mixfértil é o capítulo final desse amplo processo de reestruturação que deve permitir que a empresa retome a lucratividade. No ano passado, o balanço da Nutriplant trouxe prejuízo de R$ 10 milhões.

Com a venda da fábrica de produtos para o solo, localizada em Paulínia (SP), a empresa vai ficar com uma só unidade produtiva, em Barueri, o que permitirá economias administrativas e operacionais. Como explicou Pansa, a Nutriplant se concentrará na produção de maior margem e menor escala desse segmento.

Em 2011, a companhia produziu 23 mil toneladas de micronutrientes para o solo, que responderam por metade da receita e trouxeram margem de 20%, após custos e despesas. A outra metade do faturamento veio de apenas 3 mil toneladas, os foliares, que oferecem margem de 50%.

Mas não era apenas o posicionamento estratégico da empresa que necessitava de ajustes. A Nutriplant conseguirá agora deixar para trás as dívidas, algo que não foi possível nem com a captação de quase R$ 21 milhões na abertura de capital em 2008 – já que a crise financeira atropelou os planos.

Dos R$ 24,5 milhões da venda para a Mixfértil, R$ 4,7 milhões referem-se à transferência de uma dívida. O restante será recebido em dinheiro – em parcelas até 2018 – e será usado em sua maioria para quitar as dívidas de curto prazo da companhia.

Em dezembro, a empresa tinha R$ 14 milhões em compromissos financeiros, sendo R$ 11 milhões com vencimento até dezembro deste ano. Pansa explica que aí estava a maior pressão sobre o balanço e a principal causa dos prejuízos dos últimos anos. As despesas financeiras representaram quase 70% do prejuízo do ano passado da Nutriplant.

A dívida pesou também no desempenho na bolsa, junto com a baixa liquidez dos papéis. A companhia foi avaliada em pouco mais de R$ 50 milhões quando ingressou no Bovespa Mais, em 2008. Agora, vale aproximadamente R$ 28,5 milhões.

Além de arrumar a casa, as recentes transações trarão benefícios indiretos ao caixa da Nutriplant. As notas explicativas apontam a existência de R$ 9,7 milhões em créditos de impostos recuperáveis (ICMS, PIS e Cofins) que poderão retornar para a empresa. Além disso, a demonstração de resultados mostra que há R$ 10 milhões que podem ser usados para diferimento de imposto.

A casa ajeitada deve colocar a Nutriplant de volta no radar de consolidação do segmento, altamente pulverizado. Trata-se de um mercado estimado em R$ 2 bilhões anuais, com potencial para chegar a R$ 7 bilhões, de acordo com o presidente da Nutriplant.

O segmento de micronutrientes para solo e plantas chegou ao Brasil na década de 80 e vem crescendo nos últimos anos, uma vez que os produtos têm custo relativamente baixo, mas capacidade de proporcionar retornos expressivos do investimento. (Colaborou Carine Ferreira)

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Fonte: valor |

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