Nufarm amplia aposta na América Latina

Silvia Zamboni/Valor

Greg Hunt (esq.), CEO da Nufarm, Marcos Gaio, presidente para a América Latina, e Donald McGauchie, presidente do conselho

A Nufarm, multinacional australiana de defensivos agrícolas e sementes, está animada com seus negócios na América Latina. A expectativa é que a participação conjunta de Brasil e Argentina na receita global da companhia alcance 45% nos próximos cinco anos. No ano fiscal 2016 (encerrado em julho), quando o faturamento somou US$ 2,7 bilhões, a fatia foi de cerca 35%, ou US$ 945 milhões.

"Há cerca de cinco anos, a participação desses países estava em 15% da receita", afirmou Greg Hunt, presidente global da Nufarm, em entrevista ao Valor. De olho no avanço dos negócios na região, o conselho de administração da múlti australiana se reuniu no Brasil na semana passada. "Quando você olha para o Brasil, você vê que o crescimento da agricultura tem sido de dois dígitos já faz algum tempo. Então, uma das razões para termos escolhido nos reunir aqui é entender melhor esse mercado e tomar decisões mais acertadas", afirmou o executivo.

No Brasil desde 2007, quando comprou os ativos da Agripec Química e Farmacêutica, a Nufarm tem avançado rapidamente. Em 2015, segundo cálculos da Consultoria Allier Brasil, a participação da empresa nas vendas totais do segmento (US$ 9,6 bilhões) foi de 4%.

Atualmente, a estratégia da australiana é centrar seus esforços em culturas chave, como soja, milho, pastagem, cereais, hortifrútis, café e citros. "No Brasil, vemos oportunidades especialmente em milho e soja, mas temos crescido bastante em proteção de pastagem também", destacou Hunt. Os defensivos para pastagens representam 10% da receita da Nufarm no país. Esse mercado representou 2% das vendas totais de defensivos no Brasil em 2015.

Para atender às especificidades do mercado local, a companhia acaba de criar uma área de operações estruturadas – entre elas o barter. "O mercado é o que é. Precisamos oferecer os serviços que o consumidor demanda no país. Queremos ser o mais completos em termos de financiamento", disse Donald McGauchie, presidente do conselho da Nufarm. As operações de barter representam menos de 10% das vendas da australiana.

Para oferecer mais opções de financiamentos e com o intuito de mitigar riscos, a Nufarm deve voltar a emitir certificados de recebíveis do agronegócio (CRA) neste primeiro semestre. "Estamos nos organizando para lançar entre março e abril", disse Marcos Gaio, presidente da empresa para a América Latina. A última emissão da companhia totalizou R$ 143 milhões, mas a demanda, informou Gaio, foi de R$ 180 milhões.

Por Kauanna Navarro | De São Paulo

Fonte : Valor

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