Novos usos para o feijão

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Pizza feita com massa de farinha de feijão servida em evento em Curitiba

A queda no consumo de feijão no país nos últimos anos pode ser uma oportunidade para os produtores da leguminosa, acredita o presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), Marcelo Eduardo Lüders. Segundo pesquisa do Ministério da Saúde divulgada este ano, o percentual de pessoas que come feijão cinco vezes ou mais na semana no país saiu de 67,5% em 2010, para 60,1% no ano passado.

Em apresentação no VI Fórum Brasileiro de Feijão e Pulses, em Curitiba, Lüders afirmou que esse recuo reflete só o consumo do variedade carioca, portanto, há oportunidade para os produtores focarem em outras variedades e em outras formas de consumo de feijão.

A pesquisa mostra diferenças no padrão de consumo do grão no país. Em Belo Horizonte, por exemplo, o consumo cinco vezes por semana chega a 80,7% da população; em Cuiabá e Goiânia, a 76,2% e 75,9%, respectivamente. Por outro lado, em Florianópolis, só 32,1% consomem feijão cinco vezes por semana.

"Para mim, isso mostra que as populações que comem feijão de outras variedades como preto, vermelho, caupi e em outras formas, baião, salada, caldo etc, consomem mais feijão. Temos que mostrar que, apesar de ser bom companheiro do arroz, o feijão pode ser usado em outras receitas e existem outras variedades", disse.

Com esse objetivo, o Ibrafe e entidades como a Associação Brasileira da Indústria de Arroz (Abiarroz), Instituto Agronômico de São Paulo (IAC), a Embrapa e o Conselho do Feijão e Pulses têm feito ações para elevar o consumo de outras variedades de feijão e incentivar o plantio do grão.

"Há uma tendência mundial de consumo de produtos naturais, sem transformação pela indústria, e o feijão é assim. Mesmo a farinha de feijão é pouco industrializada e tem o benefício de não ter glúten e atende a vegetarianos e veganos", afirmou presidente do Ibrafe.

Pesquisadores do Instituto Senai de Tecnologia de Alimentos e Bebidas já avaliam outros usos para o grão. Durante o fórum, apresentaram estudo sobre uso da leguminosa na produção de farinha. "Estamos estudando fazer de pizzas a bolos com a farinha [de feijão] e, nos nossos testes de consumo, os produtos foram bem aceitos", disse Cristina Pascual, especialista em tecnologia do Senai.

No evento, pizzas feitas com farinha de feijão tigre, produzida pela ADM nos EUA, foram distribuídas pelo Senai. A pesquisadora acrescentou que a farinha é livre de alergênicos e altamente proteica. Segundo ela, no ano passado, 380 novos produtos com farinha de feijão, como tortilhas, pizzas e espaguete, foram lançados no exterior. "Vejo isso como uma oportunidade para as indústrias brasileiras", completou.

Projeções do Ministério da Agricultura indicam que o consumo de feijão no país deve ficar entre 3,1 milhões e 4 milhões de toneladas no ciclo 2026/27 ante 3,3 milhões nesta safra.

A repórter viajou a convite do Ibrafe

Por Fernanda Pressinott | De Curitiba

Fonte : Valor

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