‘Novos títulos’ de dívida já movimentam R$ 36 bilhões

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Ivan Wedekin, diretor de commodities da BM&FBovespa: "Com a queda nas taxas de juros, esses instrumentos ganham mais atratividade para o investidor"

Em um ambiente favorecido pela queda das taxas de juros, a emissão de títulos lastreados em dívidas do agronegócio, sobretudo por parte dos bancos que emprestam para o setor, registrou forte crescimento em 2012. O estoque de títulos em aberto no mercado alcançou a marca de R$ 36,1 bilhões no fim de maio, um recorde.

O valor representa um crescimento de 20,7% sobre os quase R$ 29,9 bilhões apurados no fim de 2011 e de 31,3% sobre os R$ 27,4 bilhões de um ano atrás.

A maior parte das novas emissões foi feita na BM&FBovespa, que capturou praticamente todo o crescimento deste ano. O estoque de títulos em aberto registrados na bolsa paulista superou os R$ 14,8 bilhões no último mês, um salto de 72% sobre os R$ 8,6 bilhões verificados no fim de 2011. O montante é ainda 260% maior do que o apurado um ano antes, quando o saldo não passava de R$ 4,1 bilhões.

O crescimento reflete o maior apetite dos investidores por papéis de renda fixa que oferecem isenção de Imposto de Renda e do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), em meio à queda persistente da taxa básica de juros desde o segundo semestre de 2011. "Com a queda nas taxas de juros, esses instrumentos ganham mais atratividade para o investidor", afirma Ivan Wedekin, diretor de commodities da BM&FBovespa.

A bolsa paulista também tirou proveito da parceria firmada com o Banco do Brasil (maior credor do agronegócio, responsável por aproximadamente dois terços dos financiamentos concedidos ao segmento) em março do ano passado, quando a BM&F desenvolveu uma nova plataforma que automatizou o processo de registro e emissão de títulos pelo banco estatal. "Isso nos permitiu crescer muito acima do mercado neste último ano", reconhece Wedekin.

Com a forte expansão dos últimos 12 meses, a BM&FBovespa passou a responder por 41% dos títulos do agronegócio em aberto. Há um ano, a fatia da bolsa nesse mercado era de apenas 15%. A liderança continua nas mãos da Cetip, onde os registros somam cerca de R$ 21,3 bilhões – o equivalente a 59% dos títulos em aberto.

Os "novos títulos do agronegócio" foram criados em dezembro de 2004 com o objetivo de captar recursos privados para financiar o setor e complementar os recursos do Sistema de Crédito Rural.

Os mais conhecidos são as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), papéis emitidos por bancos que financiam produtores e cooperativas, os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCAs), emitidas diretamente por agroindústrias e tradings, e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), operações estruturadas por companhias securitizadoras.

Destes, apenas as LCAs (papéis oferecidos pelos bancos aos clientes de alta renda, com mais de R$ 1 milhão para investir) deslancharam. Dos pouco mais de R$ 36 bilhões em títulos no mercado em 31 de maio, as LCAs somavam quase R$ 33 bilhões, um salto de 24% apenas em 2012 – só na BM&F, o estoque de LCAs saltou 81% neste ano, de R$ 7,4 bilhões para R$ 13,5 bilhões.

No Banco do Brasil, a emissão de LCAs atingiu R$ 8,32 bilhões no fim do primeiro trimestre, quase seis vezes mais do que no primeiro trimestre de 2011.

O gerente-executivo de Novos Negócios da Cetip, Fabio Zenaro, afirma que a procura pelas LCAs é maior não só pela rentabilidade (que supera a de um CDB) como pela segurança do investimento. "No caso da LCA, o risco primário de crédito é do banco que emite o papel", explica.

Em compensação, os CRAs ainda patinam e não somam mais que R$ 340 milhões atualmente. Nesta operação, companhias securitizadoras estruturam e distribuem títulos com o objetivo de financiar projetos específicos ligados ao agronegócio.

Considerados o "primo rico" do CRA, as CRIs (voltados para o setor imobiliário) movimentam cerca de R$ 28 bilhões. "A estrutura de securitização ao redor dos CRIs é muito mais desenvolvida. Ainda é muito mais fácil para um investidor mensurar seu risco no setor imobiliário do que no agronegócio", justifica Zenaro.

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Fonte: Valor | Por Gerson Freitas Jr. | De São Paulo

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