Novos projetos revelam potencial gaúcho

Responsável pelo maior volume de vinho produzido no Rio Grande do Sul, a serra gaúcha já divide o protagonismo com outros pontos do território que, ao longo dos últimos anos, vêm se revelando muito apropriados para a atividade. O exemplo mais avançado disso é a Campanha.

Fundada em 2010, a Associação Vinhos da Campanha já conta com 16 vinícolas-membros – e ainda há estabelecimentos fora da entidade. Com clima seco e grande amplitude térmica na época da vindima, a região é apontada por especialistas como ambiente ideal para o cultivo de uvas viníferas, especialmente as tintas.

Um dos projetos que ilustra a evolução dos vinhos na região é a Guatambu Estância do Vinho, vinícola fundada em 2003, com a implantação dos vinhedos em Dom Pedrito. A propriedade dedicada à pecuária e à agricultura encontrou na viticultura um caminho para diversiicar sua produção. Hoje, além de comercializar em todo o País os seus mais de 20 rótulos, a vinícola aposta no projeto de enoturismo para mostrar ao público o potencial da Campanha.

Em almoços harmonizados, além de provar os vinhos, o visitante também saboreia a carne produzida na propriedade, proveniente das raças Hereford e Braford. “É difícil medir o efeito imediato do enoturismo, mas, desde que inauguramos o receptivo, nossas vendas vêm crescendo ao menos 10% ao ano. Quando as pessoas conhecem o trabalho familiar, o investimento na preservação do campo, a produção sustentável de uvas, elas criam uma relação de afeto e idelidade com a marca”, comenta a enóloga Gabriela Pötter, sócia da Guatambu.

Outro terroir que vem ganhando destaque com novos projetos é a Serra do Sudeste, onde iniciativas surpreendentes revelam a versatilidade do solo gaúcho. Em Mariana Pimentel, cidade a 76 quilômetros de Porto Alegre, cerros de solo granítico que variam de 250 a 500 metros de altitude são o berço de um projeto cheio de paixão e qualidade. Próximo o suiciente da Lagoa dos Patos para se beneiciar da sua brisa fria, mas protegidas da umidade excessiva, as videiras da Vinícola Cárdenas dão origem a duas séries de rótulos tintos e uma linha premium de espumantes. A primeira safra foi a 2013. Hoje, a vinícola produz entre 80 e 100 mil garrafas por ano e se prepara para inaugurar a estrutura para receber visitantes.

“Fizemos testes com mais de 60 castas para entender quais se adaptavam melhor ao território. Por isso conseguimos aproveitar ao máximo o que o vinhedo nos oferece em uma safra excelente como a de 2020″, airma Renato Cárdenas, proprietário da vinícola.

E se as características particulares de cada região pudessem se m isturar? É e xatamente e ssa a proposta da vinícola Família Bebber, que tem sede em Flores da Cunha mas não possui vinhedos próprios. Desde a fundação, em 2014, a ideia sempre foi comprar matéria-prima de excelência de produtores selecionados em várias partes do Rio Grande do Sul. Hoje, os rótulos da marca são feitos com uvas da Serra, da Campanha, d a S erra d o S udeste e de onde mais houver produto de qualidade. “Queremos ter vinhedos próprios um dia, mas não é nossa intenção plantar mais do que 50% da demanda. Sempre teremos fornecedores parceiros, pois isso nos dá mais opções e equilíbrio”, comenta o enólogo Felipe Bebber, sócio da vinícola.

Segundo ele, o projeto sempre foi produzir vinhos que conquistem o consumidor brasileiro – o que ica bem mais fácil tendo à mão o melhor das uvas de regiões variadasd oE stado.

Fonte: Jornal do Comércio

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