Novo revés da Monsanto na Justiça dos EUA faz ação da Bayer derreter

(Atualizada em 24 de outubro, às 19h53) As ações da gigante de agroquímicos Bayer voltaram a apresentar forte queda na bolsa de Frankfurt. Os papéis da multinacional alemã registram ontem desvalorização de 9,46% e fecharam a € 69,27, menor patamar desde fevereiro de 2013.

Mais uma vez, a queda foi determinada por desdobramentos das polêmicas envolvendo o glifosato – herbicida desenvolvido pela Monsanto, empresa americana que passou ao controle da Bayer em agosto.

Na segunda-feira, de acordo com informações da Dow Jones Newswires, a magistrada Suzanne Bolanos, de San Francisco, confirmou veredicto de agosto passado contra a Monsanto por esconder o potencial cancerígeno do Roundup (marca de herbicida à base de glifosato). Entretanto, a juíza reduziu o valor das multas e da indenização da ação de US$ 289 milhões para US$ 78 milhões.

No dia 10 de agosto, a Justiça da Califórnia decidiu que a Monsanto, agora Bayer, teria que pagar US$ 289 milhões na ação movida por Dewayne Johnson, jardineiro de San Francisco que atribui o desenvolvimento de um câncer à exposição a dois herbicidas à base de glifosato (Ranger Pro e Roundup).

A Justiça negou a solicitação da Monsanto para que fosse realizado novo julgamento. Contudo, a magistrada de San Francisco reduziu para US$ 39 milhões – em vez de US$ 250 milhões – a indenização por perdas e danos. O restante dos valores envolvidos na sentença se referem a multas.

Apesar da redução do valor a ser pago, a decisão é uma derrota para a Bayer, já que abre precedentes em outros processos envolvendo o glifosato. Apenas nos EUA, há hoje cerca de 8 mil processos semelhantes em andamento, como já admitiu Werner Baumann, CEO da Bayer.

Em nota, a Bayer informou em nota “a decisão do Tribunal de reduzir a indenização punitiva em mais de US$ 200 milhões é um passo na direção certa, mas continuamos a acreditar que a sentença de responsabilidade e as indenizações por danos não são embasados por provas apresentadas no julgamento ou pela lei. Dessa forma, a empresa planeja recorrer ao Tribunal de Recurso da Califórnia”.

Ainda de acordo com a Bayer, herbicidas à base de glifosato vêm sendo utilizados com segurança e sucesso há mais de quatro décadas em todo o mundo e são uma ferramenta valiosa para ajudar os agricultores a praticar agricultura sustentável, reduzindo a aragem do solo, a erosão e as emissões de carbono.

Segundo a Bayer, estudo independente de 2018 do Instituto Nacional do Câncer (nos EUA), que acompanhou mais de 50.000 aplicadores de pesticidas – não encontrou nenhuma associação entre herbicidas à base de glifosato e o câncer. Além disso, a avaliação de risco  de 2017 da agência EPA examinou mais de 100 estudos que o órgão considerou relevantes e concluiu que é improvável que o glifosato seja carcinogênico para humanos.

Fonte: Valor |  Por Kauanna Navarro e Fernanda Pressinott | De São Paulo

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