Novo ônibus à pilha entra em testes no próximo ano

Fonte: Valor | Por Regina Teixeira | Para o Valor, do Rio

Paulo Emílio/Divulgação Coppe/Paulo Emílio/Divulgação Coppe
Ônibus movido a hidrogênio com pilha combustível: a Coppe testa há mais de um ano o H2, veículo híbrido elétrico, que pode ser alimentado de três formas

Com intuito de reduzir as emissões de gases poluentes, as montadoras estão investindo no desenvolvimento de ônibus mais ecológicos. A Mercedes-Benz e a Volvo já têm modelos mais sustentáveis. A primeira a linha BlueTec 5, que emite menos partículas. Também está apostando em um combustível mais amigável do ambiente, em fase de testes em São Paulo e no Rio. A Volvo anuncia o ônibus híbrido, movido à eletricidade e a diesel, que começa a ser fabricado no Brasil em 2012.

Em 2012, a Coppe/UFRJ lançará um ônibus elétrico. A Coppe testa há mais de um ano o ônibus H2, um veículo híbrido elétrico, que pode ser alimentado de três formas: por uma tomada ligada à rede elétrica tradicional, por uma pilha a combustível (hidrogênio) ou por meio da regeneração da energia cinética dos freios.

A tecnologia verde é uma exigência dos governos. No Brasil existe o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve- P7), que exigirá a partir de janeiro de 2012 redução de 80% nas emissões de partículas e 60% nas emissões de óxidos de nitrogênio.

Para estimular o interesse dos fabricantes, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) incluiu no Programa de Sustentação do Investimento (BNDES PSI) financiamento de ônibus elétrico e híbrido. Uma das condições é que os equipamentos sejam acessíveis a deficientes físicos, o que não acontece em modelos convencionais.

Neste mês deverá ser divulgada a lista dos projetos escolhidos. Carlos Henrique Malburg, gerente do Departamento de Desenvolvimento Urbano do BNDES, informou que a participação do banco por projeto chega a 90%, e as taxas são de 5% ao ano. A vigência do PSI vai até dezembro de 2012.

A nova linha de ônibus da Mercedes-Benz foi concebida com o mesmo sistema usado na Europa. Ricardo Silva, vice-presidente de ônibus América Latina da Mercedes-Benz, explica que o motor reduz o volume de emissões de óxidos de nitrogênio por meio da conversão em nitrogênio puro e em vapor de água, inofensivos à natureza. Cerca de 200 veículos já foram vendidos para clientes de São Paulo e 150 para o Rio.

Outra aposta é um ônibus que usa diesel feito de cana-de-açúcar. O projeto, testado em São Paulo em 2010, em ônibus urbano da empresa Santa Brígida, abastecido com 10% de diesel de cana, mostrou redução de 9% nas emissões.

A Mercedes faz parceria da Amyris Brasil, fabricante que desenvolveu o diesel de cana no país, da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro e da Petrobras Distribuidora. A fase de testes será concluída na Rio+ 20, Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorrerá no Rio de Janeiro, em junho de 2012.

A pré-produção de veículo híbrido da Volvo começa no primeiro semestre de 2012, na fábrica de Curitiba. Os primeiros 60 ônibus serão comprados por operadoras do sistema de transporte público de Curitiba, conta Luís Carlos Pimenta, presidente da Volvo Bus Latin America. A empresa realizou testes com o ônibus em três capitais – Curitiba, São Paulo e Rio.

A tecnologia permite economia de diesel de até 35% e reduz as emissões de gases poluentes entre 80 e 90%. O ônibus tem dois motores, um a diesel e outro elétrico, que funcionam em paralelo ou de forma independente. O elétrico é utilizado para arrancar o ônibus e acelerá-lo até uma velocidade de aproximadamente 20 quilômetros por hora, e também como gerador de energia durante as frenagens. O ônibus híbrido deverá custar em torno de R$ 700 mil.

A Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) criou o ônibus elétrico híbrido a hidrogênio, que não utiliza combustível fóssil e está em fase de testes na Cidade Universitária na Ilha do Fundão. Tem tecnologia 100% nacional e com emissão zero de poluentes.

Tem autonomia para 300 km. Segundo Miranda, o hidrogênio pode ser obtido a partir de muitas fontes: qualquer material orgânico serve (inclusive restos da agricultura, da agropecuária, dejetos de animais, esgoto humano etc).

Segundo Paulo Emílio Valadão de Miranda, chefe do Laboratório de Hidrogênio (LabH2) da Coppe, a universidade está desenvolvendo outros dois ônibus: um totalmente elétrico e outro híbrido a álcool, que combina a eletricidade obtida da tomada elétrica e armazenada em baterias com a eletricidade produzida a bordo por um grupo motor-gerador a etanol.

Na opinião do pesquisador, para que o projeto seja viável comercialmente é preciso que os governos estimulem a divulgação, incluindo-o nas compras governamentais, como é feito na Europa e no Japão, por exemplo.

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