NOVO IMPASSE | Avicultores à espera de pagamentos

Frigoríficos em dificuldades afetam produtores integrados do Estado e já realizam demissões

A crise que afeta o setor avícola traz de volta um velho fantasma que assombrou produtores integrados nos últimos anos no Rio Grande do Sul. Depois de resolvido o problema com a Doux Frangosul, após o Grupo JBS assumir as operações no Estado, em maio, outras empresas no sul do Brasil começam a atrasar pagamentos de lotes de animais entregues.
O caso mais recente é o da indústria paranaense Diplomata, que tem atraso médio de 120 dias para os criadores que fornecem à unidade de Xaxim (SC). São pelo menos 600 famílias afetadas, 40% delas em municípios como Herval Grande, Erechim e Nonoai, no norte gaúcho.
– As informações que temos é que o custo dos insumos faz com que ocorram atrasos nos pagamentos – diz Alexandre Bergamin, coordenador da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul.
A entidade se reuniu ontem para avaliar medidas. Os integrados decidiram esperar até o dia 16 para que a empresa normalize os pagamentos, caso contrário não irão receber lotes e alojar aves. Por meio da assessoria de imprensa, a Diplomata culpou a alta dos insumos, como milho e farelo, e informou que espera normalizar os pagamentos nas próximas semanas.
Entidade prevê aumento no preço final da carne
O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), Nestor Freiberger, alerta que empresas do setor já reduziram volumes de produção. Em pequena escala, ocorreram demissões em frigoríficos no Estado.
– Ou repassamos os custos ou quebramos – diz Freiberger, que estima aumento de até 20% no preço da carne de frango para o consumidor.
A situação mais preocupante é a da Minuano. Sindicatos de trabalhadores rurais da serra estimam que pelo menos 200 integrados esperam lotes em atrasos que duram até 120 dias. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Veranópolis, Moacir Mazzarollo, os produtores pensam em buscar no Ministério Público uma solução para os atrasos.
– Eles disseram que sentariam conosco para resolver o atraso, mas até agora não deram satisfação – afirma.
Procurada, a empresa não se manifestou sobre o assunto.

NESTOR TIPA JÚNIOR

Fonte: Zero Hora

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