Novidades expostas no parque mostram como melhorar os resultados do agronegócio

Além dos negócios, Expointer é palco para o surgimento de novas tendências no campo

Novidades expostas no parque mostram como melhorar os resultados do agronegócio Bruno Alencastro/Agencia RBS

Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

Caio Cigana

caio.cigana@zerohora.com.br

Tão importante como os negócios na casa dos bilhões de reais que a Expointer gera é o caráter de mostra do maior evento agropecuário do Estado. Ao percorrer a diversidade de estandes do parque Assis Brasil, é possível trocar experiências e encontrar inovações ou simplesmente sistemas alternativos que podem ajudar a elevar a produtividade no campo, a renda de quem vive da terra e a oferta de alimento para os moradores das cidades.

Muito além dos remates e das vendas de máquinas agrícolas, a Expointer pulsa e se dinamiza com a apresentação de novidades e tendências. São novas soluções – muitas delas embrionárias – e lançamentos que em breve poderão estar disseminados pelos criatórios e lavouras.

– O que é lançado nas feiras tem futuro porque já vem de uma certa demanda. O produtor tem cada vez mais conhecimento, acesso à informação, e se preocupa com a obsolescência da tecnologia – testemunha Renato Levien, professor da UFRGS e coordenador do Prêmio Gerdau Melhores da Terra.

Das supermáquinas aos pequenos animais é possível perceber que evolução no campo não cessa. Para a pecuária leiteira, uma das atividades que mais cresce no Rio Grande do Sul, são apresentados novos equipamentos que prometem amenizar o problema da falta de mão de obra no campo.

Na área de grãos, motor da economia agropecuária, além de tratores, implementos e colheitadeiras cada vez mais precisos em todos ciclos da lavouras, novas tecnologias aumentam o acesso aos dados para os empresários rurais, mesmo que estejam longe da plantação. Tudo fruto da ânsia dos homens do campo em ter sempre o mais moderno à disposição.

Confira algumas das novidades expostas na edição deste ano:

Plantel com mais gêmeos e trigêmeos

Em breve, será possível aumentar a produção de cordeiros sem elevar o rebanho de matrizes nas propriedades. A solução para incrementar o número de crias por ovelha surge do resultado de 10 anos de estudos da Embrapa Pecuária Sul, de Bagé.A pesquisa identificou, em animais da raça ile de france, genes que têm relação com a maior incidência de partos duplos e triplos.

Chamada Mutação Genética Vacaria, por ter sido diagnosticada primeiro em criações próximas à cidade da região dos Campos de Cima da Serra, a descoberta permitirá, no fim das contas, uma produção maior de carne ovina. Um dos autores do trabalho, o pesquisador Carlos José Hoff de Souza explica que, em um futuro nem tão distante, os próprios produtores poderão identificar essas características com um simples exame de DNA. Assim, os criadores terão uma ferramenta de seleção que permitirá aumentar o plantel que carrega os genes ligados à prolificidade. A pesquisa também é conduzida com outras raças.

– Agora estamos discutindo como isso chegará aos produtores – ressalta o pesquisador.

Plantadeira de adubo

O uso do esterco gerado pelos animais nas propriedades como fertilizante em hortas, lavouras e pastagens está longe de ser novidade. Mas uma nova forma de aproveitar ainda mais as propriedades desse adubo natural está sendo apresentada pela Ipacol, indústria de máquinas agrícolas de Veranópolis.

A empresa desenvolveu o que chama de injetor de biofertilizantes. A diferença é que a maior parte dos equipamentos do gênero fazem a distribuição do esterco (seco ou em estado pastoso) a lanço. No caso do equipamento da empresa gaúcha, os excrementos não são apenas jogados sobre o terreno, mas injetados no solo.

Assim,diz Carlos Antoniolli,gerente de pesquisa e desenvolvimento da Ipacol, é possível aproveitar ao máximo os nutrientes e ainda minimizar o risco de contaminação ambiental.

– O funcionamento é semelhante a uma plantadeira – compara. Puxado por um trator, o equipamento tem um disco especial que abre sulcos na terra, onde é injetado o esterco em estado pastoso e, logo atrás, uma roda fecha a vala.

Homeopatia para um campeão

Se não é exatamente tendência, pode ser pelo menos uma opção para os criadores que mudam de medicamento a toda e hora e não conseguem vencer os carrapatos devido à resistência criada pelos parasitas. Além de satisfeito com o desempenho na Expointer, o pecuarista Ricardo Pereira

Duarte, dono da Cabanha Touro Passo, de Uruguaiana, está feliz da vida com a decisão que tomou há sete anos de trocar os produtos veterinários tradicionais pela homeopatia. Duarte conta que, antes, entre o nascimento e o desmame, chegava a perder 30% dos terneiros por tristeza parasitária, doença transmitida por carrapatos.

Agora, as mortes pela mesma causa beiram a zero.Além de ter diminuído os gastos com os medicamentos, a reversão das baixas no rebanho se tornou outra vantagem financeira. Todos seus 550 animais são tratados com homeopatia, inclusive a bicampeã polled hereford e a reservada de grande campeã hereford da Expointer 2013, diz Duarte, que ainda vê resistência entre os criadores.

Com o trator na palma da mão

Que tal estar na cidade e acompanhar na palma da mão o trabalho na lavoura? Esta facilidade passou a ser possível com um aplicativo para tablets e smartphones da Agco, dona das marcas Massey Ferguson e Valtra. O sistema de telemetria para acompanhamento da frota permite que o agricultor tenha,minuto a minuto,um quadro atualizado da situação na lavoura.

Com o aplicativo, é possível saber se tratores, colheitadeiras e pulverizadores, por exemplo, estão parados, operando ou sendo transportados. O Agcommand permite nos tratores verificar as rotações por minuto, a velocidade da operação e o número de horas do motor, informações importantes para programar a manutenção.

– É possível saber se as pessoas estão operando as máquinas e seguindo as orientações – explica Niumar Dutra Aurélio, coordenador de marketing de produtos ATS (Soluções em Teconologia Avançada) da Massey Ferguson.

Alternativa à falta da chuva

Após a seca que dizimou as lavouras gaúchas na safra 2011/2012, a irrigação passou a ser um dos principais temas da mostra de Esteio.Uma opção ao método tradicional é apresentada pela John Deere Water, empresa criada pelo grupo norte-americano após a compra de três empresas do setor.

O sistema de irrigação por gotejamento subterrâneo consiste na distribuição, pela lavoura, de uma rede tubos enterrada a uma profundidade de 30 centímetros. O conceito oferece vantagens que vão além da produtividade superior em relação às plantações que dependem apenas da chuva.

A economia de água é de até 40% em comparação com o sistema de aspersão por pivôs e, no caso da energia, chega a 50%, diz João Andrade, gerente distrital de vendas da John Deere Water. O sistema permite ainda a distribuição de fertilizantes e foi testado na Bahia, no Mato Grosso e no Rio Grande do Sul, onde serão feitos os primeiros projetos comerciais.

Coleira com chip monitora o gado

Criada há três anos em Santa Maria, a Chip Inside Engenharia e Tecnologia exibe na feira um sistema que faz o monitoramento do comportamento do gado de leite. Com uma coleira presa ao animal e uma antena instalada em um local por onde as reses costumam passar, um software recebe as informações sobre quanto tempo o gado ficou em ruminação, em atividade ou descansando.

Assim, é gerado um padrão de comportamento de cada animal, o que pode estar associado a informações úteis ao criador.

– A queda do tempo de ruminação e o aumento da atividade é um dos sinais de cio. E, às vezes, o cio de uma vaca dura apenas 10 horas – explica o diretor-executivo da empresa, Thiago Martins, ressaltando que este alerta se torna essencial nos criatórios que empregam inseminação artificial.

O monitoramento promete aumentar a longevidade dos animais na produção, a qualidade do rebanho e a redução da taxa de descarte.

Teta artificial alimenta os terneiros

A nutrição de terneiras de raças leiteiras, normalmente desmamadas ao nascer, ganha uma forma automatizada, com economia de mão de obra, e na medida exata para a necessidade de cada animal. Com o alimentador automático apresentado pela Sulinox na Expointer, é possível pré-definir e administrar que quantidade cada terneira deve beber e, se for necessário, misturar algum medicamento ao alimento.

O sistema consiste em uma máquina que funcina a exemplo de uma cafeteira, com recipientes que recebem o leite em pó ou integral e a água, e um minicurral com uma teta artificial onde o animal mama. Para a engenhoca liberar a dose certa de cada animal,eles recebem uma coleira com um transponder que o identifica e transmite as informações à máquina.

– Em geral, terneiras são alimentadas com o leite em baldes.E enquanto o leite em pó próprio custa R$ de 0,60 a R$ 0,65, o litro do leite pago ao produtor está valendo em torno de R$ 1 – diz o veterinário Lissandro Mioso, consultor da Sulinox,de Alvorada.

Fonte: Zero Hora

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