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Novas tecnologias contra helicoverpa exigem manejo eficiente do produtor

Especialistas alertam que uso contínuo de um mesmo produto pode causar resistência

Sebastião Garcia | São Paulo (SP)

Reprodução [1]

Foto: Reprodução / Agrodefesa GO

Registro de novo produto para combate à lagarta helicoverpa tem validade de dois anos

Com a descoberta da lagarta Helicoverpa armigera nas lavouras brasileiras na última safra, a indústria de defensivo se apressou para registrar novos produtos para combate à praga. Ao mesmo tempo, uma nova variedade de sementes de soja aparece no mercado como alternativa que, segundo a indústria, tem eficiência no controle.

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De qualquer forma, a eficiência depende muito do manejo bem feito na propriedade.  As tecnologias e as novidades neste mercado são assuntos para mais uma reportagem da série De Olho na Soja.

A empresa em que o agrônomo Ronaldo Yugo trabalha registrou no Ministério da Agricultura e da Pecuária (Mapa) o uso de um defensivo que teria ação sobre a lagarta helicoverpa nas culturas de soja e de algodão. O produto já está no mercado desde 2009 para controle de outras lagartas, mas só agora a helicoverpa aparece como praga-alvo.

– Ela paralisa a ingestão, depois causa a morte da lagarta – explica o agrônomo.

O registro do novo produto para combate à lagarta helicoverpa tem validade de dois anos. A procura pelo defensivo, segundo Yugo, aumentou em 50% no último mês. Agora o engenheiro diz que, mais que vender, a preocupação é com a forma com que este produto será usado.

– A gente preconiza boas práticas culturais, seguindo rotação de ativos químicos para que se evite ou reduza os problemas de resistência que o agricultor poderá ter no campo – alerta Ronaldo.

Há uma unanimidade quando se fala no combate às pragas, sejam elas novas ou já conhecidas dos produtores: nada melhor do que o manejo bem feito. A preocupação dos especialistas é que o uso contínuo de um mesmo produto cause resistência nas pragas. O que pode comprometer toda a viabilidade de uma plantação. São poucas ainda as tecnologias disponíveis para combate, ainda mais quando se trata de uma praga nova, como a helicoverpa.

– Já temos relatos de países com infestação desta espécie com resistência ao cry1Ac, uma proteína usada no combate à praga. Temos que ficar atentos e observar como a helicoverpa vai se desenvolver nestas plantas – comenta Lúcia Vivan, entomologista da Fundação MT.

A pesquisadora da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT), instituição que trabalha com pesquisas naquele Estado, se refere ao mais novo produto disponível no mercado, a semente Intacta RR2, que recentemente teve aprovação da China para importação. As novas sementes aprovadas pelo governo chinês já tinham seu uso autorizado no Brasil e em outros mercados, mas os produtores de soja e a empresa detentora da tecnologia aguardavam a aprovação chinesa, pois o país é o principal mercado comprador do Brasil. Das sete milhões de toneladas de soja em grão exportadas em abril deste ano pelo Brasil, 5,6 milhões foram para o país asiático.

– Quantos hectares serão ocupados pelo produnto depende da disponibilidade de sementes, não só da Monsanto, mas também dos multiplicadores, os licenciados que fazem parte do programa. Estamos preparando para ofertar um volume que possa atender o máximo possível todas as áreas de soja do Brasil – afirma Luciano Fonseca, gerente de gestão responsável de produto da Monsanto.

Na safra 2012/2013, a nova semente foi testada em mil propriedades produtoras de soja no país. O grande diferencial da nova semente, segundo o executivo da empresa que detém a tecnologia, é a capacidade de inibir o desenvolvimento das lagartas helicoverpa zea e armigera. O produto não pode garantir 100% de proteção, diz Luciano, que usa o termo supressão.

– Supressão é um nível de controle acima de 95%. É o que observamos nos três anos que esta tecnologia foi largamente testada em varias situações na fazenda, no campo e no laboratório – diz Luciano.

Não há uma estimativa de quantos produtores vão usar a nova tecnologia na próxima safra. De qualquer forma, de Norte a Sul do país, representantes de produtores e especialistas recomendam cautela.

– Não fazemos desta tecnologia uma forma de controle. Nós a temos como uma alternativa a mais para o controle, mas não estamos colocando todas as nossas fichas nela contra a helicoverpa. Para outras pragas sim – afirma Lucas Galvan, agrônomo da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul).

– Nenhuma ferramenta isoladamente, eu acredito, pode ser capaz de causar a extinção ou resolver o problema da helicoverpa. Nós vamos ter que intensificar o manejo integrado de pragas como principal ferramenta para o manejo destas lagartas. E não apenas uma tecnologia – afirma Sérgio Abud da Silva, supervisor de transferência de tecnologia da Embrapa Cerrados.

CANAL RURAL

Fonte: Ruralbr

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