Novas fontes de energia são desafio para o Brasil

Evento apontou potenciais de ventos e biomassa para reduzir gastos

Patrícia Comunello

MARCELO G. RIBEIRO/JC

Futuro da energia no Brasil foi foco de painéis

Futuro da energia no Brasil foi foco de painéis

Um carro desperdiça 80% do combustível em operações de repouso e marcha lenta, tudo porque o trânsito está caótico. Na indústria, estima-se em 60% a perda de energia em alguns setores. A ordem é evitar desperdício e melhorar os sistemas de uso de fontes do recurso, além de ampliar as possibilidades de geração usando biomassa e ventos. O futuro da energia no Brasil foi foco de painéis do Future Visions German Weeks, que integra os eventos da Alemanha no Brasil até 2014. Especialistas e executivos de empresas que atuam com tecnologias na área apontaram que os desafios também devem incluir a melhoria de infraestrutura e a utilização de recursos energéticos.
O consenso é que existem fontes de sobra para garantir a demanda de energia. A previsão é de que até 2030 a geração aumentará 110% no País. Países como a Índia projetam quase quadruplicar a oferta. O gerente de marketing estratégico e comunicação para o setor de energia da Siemens, Felipe Ferres, juntou quatro fatores para justificar o grau de importância que a pauta energética está na prioridade. “Urbanização, mudanças climáticas, maior fluxo comercial e globalização geram pressões por ajustes na gestão do setor”, apontou o painelista.
Ferres citou que algumas fontes crescem em velocidade muito maior na matriz brasileira, como a de energia eólica, que sairá de 1,8% no quadro de 2012 para 6,8% do suprimento. A limitação de reservatórios na geração hídrica deve ser considerada, advertiu. O Rio Grande do Sul é um dos polos de instalação de parques que geram energia a partir de ventos. A Siemens analisa a implantação de uma fábrica de aerogeradores, hoje trazidos de fora pela marca. Ferres diz que o empreendimento, sem data, local e investimentos definidos, aguarda resultado de estudos sobre a tecnologia mais adequada à realidade brasileira. Mudanças nas regras para obter recursos do Bndes geram o reestudo do projeto.
O sócio-administrador da Ecoterra-Bio, Mario Augusto Alexandre Coelho, valorizou a utilização de biomassa para gerar o biogás. Hoje, o insumo mais usado é o gás natural, com boa parte importada e cujo preço oscila devido ao câmbio e aumenta o custo dos usuários. Coelho frisou que o suprimento para produzir o insumo oriundo de matéria orgânica é a solução e lembrou que grãos como milho podem servir para a geração energética, com altos retornos a investidores. “O biogás pode dar estabilidade ao sistema quando a fonte hídrica ou térmica não estiver disponível”, ressaltou. O sócio da Ecoterra-Bio advertiu para a elevação na demanda de setores de transporte (7,2%) e serviços (5,3%), muito acima do PIB, apontando que o uso do bagaço de cana-de- açúcar cresce na indústria, com custo muito mais baixo do que o do óleo diesel, do gás natural e do carvão. “O foco deve ser o custo”, ressaltou Coelho.
O diretor do Laboratório de Eficiência Energética (Labee) da Pucrs, Odilon Francis Pavón Duarte, reforçou que a melhor forma de ser eficiente no uso de energia é não desperdiçar o recurso. Neste caso, é transferir a redução de gasto de um local para outro que poderá usar a mesma energia disponível no sistema. Para Duarte, a indústria tem o maior potencial para elevar a conservação de energia. “Energia é fator de despesa e não de resultado”, adverte o diretor do Labee.

Caminhão mostra soluções de eficiência energética

Escada rolante funcionando e nenhum usuário no equipamento. A cena comum à maioria dos ambientes é vista nos acessos à área do Future Visions German Weeks, que termina nesta sexta-feira no Centro de Eventos da Pucrs, dentro da programação do ano da Alemanha no Brasil. Enquanto os debates focam tecnologias sustentáveis, o local expõe o desperdício de energia, foco da conferência da manhã dessa quinta-feira. Por sorte, o caminhão da fabricante Siemens, estacionado no pátio ao lado do centro de eventos, mostra experimentos sobre economia no uso dos recursos. O Caminhão da Eficiência Energética foi lançado na Rio+20, em 2012, e percorreu 20 mil quilômetros. Entre 2013 e 2014, a ação se integra à programação multitemática.
No caminhão, o estagiário da Siemens e estudante de Engenharia Elétrica Leonardo Beriagnolli explica que o uso de inversores de frequência e sensores reduz em até 40% o consumo da escada rolante. O mecanismo regula a operação também conforme o uso. Se não há ninguém, a escada fica parada. Quando surgem usuários, a velocidade é modulada pelo peso. A lógica do uso racional é aplicada a elevadores, que injeta a energia da frenagem no sobe e desce do equipamento. De novo, o corte é de até 40%, segundo Beriagnolli.

Fonte: Jornal do Comércio

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