Nova safra fortalece a recuperação do RS

Tadeu Vilani/Agência RBS/Folhapress / Tadeu Vilani/Agência RBS/Folhapress

Emater-RS estima uma expansão de 2,7% na área gaúcha de soja, que começará a ser semeada no fim de setembro

Embora não tão expressivas como no ciclo 2012/13, as ainda elevadas cotações e as perspectivas de ganhos com a soja devem consolidar o Rio Grande do Sul como terceiro maior produtor brasileiro do grão na safra 2013/14, atrás de Mato Grosso e Paraná.

O clima não será tão bom como no último verão, mas o aumento de área plantada deverá compensar a leve queda esperada no rendimento e garantir uma oscilação positiva de 0,07% na produção, para 12,765 milhões de toneladas, conforme a primeira estimativa da Emater-RS, divulgada nesta quinta-feira.

O Estado havia perdido a terceira posição no ranking dos produtores de soja para Goiás em 2011/12, quando mais uma severa seca reduziu a safra local para 5,991 milhões de toneladas nas contas da Emater-RS e 6,527 milhões de toneladas segundo a Conab. No ciclo seguinte, porém, preço e clima jogaram a favor, a área plantada cresceu 14%, avançando sobre lavouras de milho e pastagens, e o volume dobrou, recolocando os gaúchos no pódio.

A tendência se repete neste ano, só que não no mesmo ritmo. Segundo o diretor técnico da Emater-RS, Gervásio Paulus, o levantamento indica expansão de 2,7% na área de soja que começa a ser plantada no fim de setembro, para 4,855 milhões de hectares. São 127,3 mil hectares a mais, sendo 96,2 mil provenientes de pastagens e em menor escala de lavouras de arroz no sul do Estado, além de 31,1 mil antes cultivados com milho. A produtividade deve cair 2,6%, para 2.629 quilos por hectare, considerando a média dos últimos dez anos. Em Goiás, a estimativa para a safra 2013/14 é de 9,5 milhões de toneladas, de acordo com a federação da agricultura local (Faeg).

Com uma elevação mais modesta nos preços frente à média histórica, o arroz deve apresentar expansão de 1,5% na área plantada a partir do fim de setembro, para 1,098 milhão de hectares, e de 5,9% na produção, para 8,58 milhões de toneladas. Apesar de perder algum espaço para a soja, as lavouras estão sendo beneficiadas pelo elevado nível dos reservatórios para irrigação, que garantem a liderança folgada do Rio Grande do Sul entre os Estados produtores de arroz no país, com dois terços da safra nacional.

Vítima do pior desempenho em termos de preço, o milho deve perder 2,9% em área e 7,7% em produção no próximo verão, para 1,005 milhão de hectares e 4,935 milhões de toneladas, prevê a Emater-RS. O rendimento deve recuar 5%, para 4.912 quilos por hectare, e o plantio que deveria iniciar no fim de agosto tende a atrasar cerca de duas semanas devido ao frio intenso, acredita Paulus. Incluindo a cultura de feijão, a safra 2013/14 no Estado deve crescer 0,27% em volume, para 26,350 milhões de toneladas, e 1,7% em área, para 7,012 milhões de hectares.

Na soja, o preço médio pago ao produtor recuou 14,3% em 12 meses no Estado, para R$ 65,95 o saco de 60 quilos nesta semana, mas permanece 26,8% acima da média de 2008 a 2012, informa a Emater-RS. De acordo com o analista Antônio Sartori, da corretora Brasoja, 10% da safra 2013/14 já foi comercializada e os preços para maio de 2014 chegam a R$ 72 a saca posta no porto de Rio Grande e a R$ 67 no interior do Estado.

Conforme Sartori, ainda falta vender 3,5 milhões de toneladas da soja gaúcha de 2012/13 e o produto disponível está sendo cotado a até R$ 80 o saco em Rio Grande e a R$ 75 no interior. As exportações do ano devem chegar a 8 milhões de toneladas e a sustentação dos preços, segundo ele, deve-se a movimentos especulativos e a fundamentos como a redução da safra americana, os baixos estoques globais e as dificuldades impostas pelo governo argentino para a exportação da soja local.

O superintendente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro), Tarcísio Minetto, calcula que o custo variável (insumos e financiamentos) das lavouras de soja cresceu cerca de 10% nesta safra, para R$ 1,1 mil por hectare. Com isso, a expectativa média de ganho líquido por hectare fica em quase R$ 1,8 mil, considerados os preços atuais e a produtividade prevista. Em agosto de 2012 a projeção era de R$ 2,3 mil líquidos por hectare, levando em conta os custos, preços e rendimento esperado na época, mas o valor segue "atrativo", diz Minetto.

O milho, que segundo a Emater-RS recuou 19,7% em 12 meses e 8% ante a média 2008-2012, para R$ 23,14 ao produtor pelo saco de 60 quilos nesta semana, teve alta de custos na ordem de 15% desde a última safra, calcula o superintendente da Fecoagro. Com isso, a expectativa de ganho líquido recua de R$ 863 por hectare em agosto do ano passado para R$ 246 agora. O preço do arroz oscilou 0,3% para cima em 12 meses, para R$ 34,02 o saco de 50 quilos, e ficou 5,7% acima da média dos últimos cinco anos.

Boa parte do aumento dos custos das lavouras está associada ao impacto da elevação recente do dólar sobre os preços de insumos como fertilizantes e defensivos. Segundo o coordenador das comissões de grãos da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Jorge Rodrigues, porém, a maior parte desses produtos já está nas propriedades porque o plantio está prestes a começar no Estado.

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Fonte: Valor | Por Sérgio Ruck Bueno | De Porto Alegre

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