Nova safra deve ter 201 milhões de toneladas

Rio Grande do Sul pode alcançar 29,4 milhões de toneladas, 3,4% abaixo do último ciclo, de acordo com a Conab

Patrícia Comunello

Mais soja e menos milho. Os dados sobre estimativa da área de cultivo e safra de grãos para 2014/2015 no Sul do País reforçam a preferência do setor primário pela oleaginosa. A produção total da nova safra poderá crescer até 3,2% no Brasil e cair 3,4% no Rio Grande do Sul, considerando limite superior da estimativa divulgada nessa quinta-feira, em Brasília, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Com a projeção, o setor de grãos terá intervalo entre 56,23 milhões a 58,34 milhões de hectares cultivados e a produção poderá alcançar 201 milhões de toneladas. Na safra 2013/2014, a agricultura nacional somou 195,4 milhões de toneladas.
O modelo estatístico da Conab segue expectativa com limite inferior e superior de desempenho. Na pior das hipóteses, a nova safra poderia 194 milhões de toneladas, 0,7% abaixo do resultado do período anterior. A direção da Conab indicou que a expansão de soja ocorre mesmo com desaceleração de preços, que perdem força desde o primeiro semestre. Ao mesmo tempo, há elevação de despesas com insumos e outros componentes da lavoura. A companhia está fechando dados sobre a composição de custos para avaliar o impacto.
A soja cresce entre 3,2% e 7,3%, em toneladas frente a 86 milhões de 2013/2014. A área pode ser ampliada entre 1,4% e 5,5%. A intenção de plantio do milho na primeira safra na temporada 2014/2015 deverá ficar no intervalo de 15,1 milhões a 15,5 milhões de hectares, decréscimo de 4,6 a 1,7%. O levantamento da Conab para compor a estimativa ocorreu entre 21 e 27 de setembro. Os números podem sofrer alteração, advertiu a estatal, se forem verificadas alterações nas condições climáticas e fitossanitárias.
Para o Estado, a Conab aponta no limite superior a queda de 3,4%, somando 29,4 milhões de toneladas em 2014/2015. Esse saldo é previsto para cultivo de 8,7 milhões de hectares, área liderada pela soja, com 5,1 milhões de hectares (alta de 4% nesta cultura frente a 2013/2014). No limite inferior, a estimativa é de cultivo total em 8,3 milhões de hectares, -2,2% ante o ciclo anterior, e safra de 27,6 milhões de toneladas, recuo de 9,1%.
A oleaginosa ainda poderia ter área de 4,9 milhões de hectares, igual a da safra passada, que somou 12,9 milhões de toneladas no grão. Milho desponta em qualquer projeção com queda, de 4,3% a 12%, na menos otimista. “São até 90 mil hectares que devem migrar para soja neste ano”, indica o superintendente da Conab gaúcha, Glauto Melo Junior. “A estimativa é uma sinalização, tem muita intenção de plantio. Teremos quadro mais claro depois que começar o cultivo”, esclarece Melo. No ciclo 2013-2014, a produção total foi de 30,4 milhões de toneladas.
O milho pode ter área entre 907 mil a 986 mil hectares, 12% e 4,3% de recuo, respectivamente, em cada limite. O resultado poderá ser de safra entre 4,4 milhões e 4,9 milhões de toneladas. A situação aprofunda a dependência de setores que usam muito o grão, como a agroindústria de suínos e aves. Melo garante que medidas para assegurar produto com preço de atacado a produtores familiares e pequenos serão acionadas. “Há mecanismo, e estoques serão reforçados”, antecipou o superintendente.
A cultura do arroz tem decréscimo de 6% na expectativa mais baixa, apontando 1,05 milhão de hectares, e alta de 5% na estimativa superior, com 1,17 milhão de hectares. Em 2013/2014, o grão somou 1,12 milhão de hectares e 8,1 milhões de toneladas. Trigo, que entra no levantamento da estatal, teve confirmada a tendência de quebra na colheita, devido a efeitos climáticos e doenças. A Conab espera recuo de 3,1%, somando 3,1 milhões de toneladas.

Emater espera variações semelhantes nas áreas plantadas de soja e de milho

O gerente técnico da Emater-RS, Dulphe Machado Neto, observa que as estimativas de áreas da Conab estão muito próximas a previsões divulgadas no final de setembro pela empresa de extensão estadual. A área de milho, que pela Conab desponta com queda de até 12% na previsão menos otimista e de 4,3% no limite superior, foi apontada com 5,7% a menos pela Emater-RS. A razão é transferência de terra para cultivo de soja. A produção seguiria em 4,8 milhões de toneladas pela equipe chefiada por Neto, que se iguala à aposta mais elevada da Conab.
A soja, pela empresa de extensão, somaria alta de 2,8% na area, e pela companhia federal de 4%, no teto. São 5,12 milhões de hectares na conta da Emater-RS, e de 5,13 na da Conab.
Na projeção de safra de verão (arroz, feijão, milho e soja), a Emater-RS estimou em 27,65 milhões de toneladas, 2,8% acima da obtida em 2013/2014, considerada histórica. A Conab para esses quatro grãos aponta 26 milhões, na estimativa superior. A diferença carrega, segundo o superintendente da estatal, Glauto Melo Junior, influência da base de dados da safra 2011/2012, a última com uma grande estiagem.

Fonte: Jornal do Comércio

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