Nova previsão de aumento da oferta de cana no ciclo 2013/14

Leo Pinheiro/Valor / Leo Pinheiro/Valor
Pires: "Nossa política de preços é esquizofrênica. O setor de etanol precisa torcer para que o preço da gasolina caia"

A moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul deverá ficar entre 545 milhões de toneladas e 575 milhões de toneladas na próxima temporada (2013/14), um crescimento entre 6,4% e 12,3% sobre a safra 2012/13, de acordo com estimativa divulgada pela Datagro durante evento promovido pela própria consultoria ontem na capital de São Paulo.

Segundo Plinio Nastari, presidente da empresa, sua projeção para o atual ciclo (2012/13) foram mantidos em 512 milhões de toneladas. "O cenário que nós esperávamos [inicialmente] está acontecendo", comentou. De acordo com Nastari, a intensidade das chuvas pode prejudicar a colheita e deixar entre 4 milhões e 5 milhões de toneladas de cana em pé ao final da atual temporada. "Vai ser um final de safra cheio de emoções", afirmou.

Nesse contexto, o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, voltou a criticar os reflexos da política de preços da gasolina do governo federal sobre o mercado de etanol no país. De acordo com ele, a falta de previsibilidade para os preços do combustível fóssil traz prejuízos para a Petrobras e para o segmento como um todo.

"Nossa política de preços é esquizofrênica. O setor de etanol precisa torcer para que o preço da gasolina caia. Enquanto isso, Petrobras é a única petroleira que não ganha quando a gasolina sobe", criticou Pires.

O diretor defendeu que os preços da gasolina no mercado doméstico acompanhem a tendência do mercado internacional. "Ninguém defende que a política de preços do petróleo deva seguir o dia a dia do mercado, que é volátil. Mas ele deve seguir a tendência", argumentou.

Nastari, da Datagro, afirmou, ainda, que o processo de concentração no segmento sucroalcooleiro deve prosseguir nos próximos anos, mesmo que em menor intensidade. De acordo com ele, o processo pode envolver novas fusões e aquisições, mas de maneira "mais equilibrada" do que o verificado entre 2005 e 2008.

Na sua avaliação, o fechamento de 41 usinas do Centro-Sul desde 2008 contribuiu para a maior concentração do segmento. Ele enumera que os 25 maiores grupos sucroalcooleiros do país concentravam 43% da moagem em 2002, fatia que passou a responder por 74% neste ano. Atualmente, o país possui cerca de 440 usinas pertencentes a 179 grupos econômicos. Questionado sobre o endividamento das usinas, Nastari disse que entre 15% e 18% dessas empresas sofrem com dívidas elevadas.

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Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

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