Nova leva de ofertas deve somar R$ 6 bi

Leo Pinheiro/Valor / Leo Pinheiro/Valor
Fabíola Cavalcanti, sócia do BM&A, acredita que êxito de ofertas recentes animou outras empresas a ir a mercado

CPFL Renováveis e Vix Logística iniciaram ontem os procedimentos para realizar ofertas públicas iniciais de ações. Nas próximas semanas, a expectativa é de que pelo menos dez companhias também deem o primeiro passo para realizar distribuições. Entre elas, Taesa, LDC Bioenergia e Queiroz Galvão Óleo e Gás. Juntas, essas operações podem alcançar R$ 6 bilhões, conforme as estimativas do mercado.

As empresas que iniciarem as ofertas nos próximos dias poderão utilizar os números do primeiro trimestre. Além disso, conseguirão concluir as captações antes das férias no Hemisfério Norte, em agosto, quando os mercados se fecham para as distribuições.

"Estamos vendo um começo de reaquecimento nesse segmento muito em função do êxito das operações que já foram a mercado", avalia Fabíola Cavalcanti, sócia da área de mercados financeiro e de capitais, do Barbosa, Müssnich & Aragão (BM&A).

"Não apenas por causa da concretização de uma oferta aguardada como a do BTG Pactual, mas também porque operações de tamanhos menores foram colocadas", diz a advogada.

Apesar de as distribuições de Locamérica e Unicasa terem saído abaixo do piso sugerido, ambas completaram as colocações e captaram R$ 314 milhões e R$ 426 milhões, respectivamente.

Jean Marcel Arakawa, sócio do Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr e Quiroga Advogados, afirma que a colocação de ofertas menores incentivou outras empresas que ainda estavam receosas.

Ele espera que, até julho, entre dez e 12 operações sejam concluídas. Os fechamentos de preços deverão ficar concentrados na última semana de junho, podendo se estender até metade de julho. Segundo Arakawa, as operações são de setores bastante distintos e tendem a não disputar investidores.

Fabíola, do BM&A, não arrisca apontar uma quantidade de operações nos próximos meses. "Acho que o ânimo das companhias vai depender do sucesso ou não dessa nova onda de distribuições", diz. Como resume Arakawa, o mercado está observando "janela por janela".

Se as ofertas fossem avaliadas hoje, o momento não seria o melhor, pois mercado está mal-humorado com eventos recentes na Europa. Quem está iniciando operações acredita que já no próximo mês o mercado irá se acalmar.

"A volatilidade sempre aparece e é preciso estar atento. Mas temos acompanhado o fluxo de recursos globais para países emergentes e ele está positivo", diz Arakawa. Ele acredita que há candidatas mais prontas para as operações, que vão sair agora, mas também empresas que estão em estágios diferentes de preparação, que deverão vir no segundo semestre ou em 2013.

Apesar do otimismo de alguns estruturadores de ofertas, as incertezas do mercado também desestimularam algumas operações. A holding de moda Inbrands optou por adiar os planos mais uma vez. E a operadora de turismo CVC deve decidir nas próximas semanas se realiza a oferta neste semestre ou não. Também é aguardada pelos investidores a volta da operação da Seabras, prestadora de serviços do setor de petróleo, abortada no início do ano por problemas de documentação e não por falta de interesse dos investidores. E um nome bastante comentado é o da fabricante de tubos e conexões Tigre.

Na lista aguardada pelo sócio do Mattos Filho estão também as ofertas de empresas já listadas.

A BR Pharma anunciou ontem uma oferta subsequente, aguardada pelo mercado desde março. Ela quer levantar R$ 600 milhões. Desse total, cerca de R$ 80 milhões serão a fatia vendida pelos atuais acionistas da empresa, antigos donos de redes de farmácias adquiridas pela BR Pharma.

Desde a estreia, as ações da empresa, controlada pelo BTG, acumulam alta de 27,6%. No entanto, por conta do anúncio da oferta, recuaram 5,17% ontem.

Na avaliação de fonte ligada a um banco, há um interesse latente por ofertas de novas companhias e também sequenciais. Para esse interlocutor, a captação do BTG Pactual pode ajudar essas operações a sair do papel. "Começa a dar mais confiança", afirma. "Mas o mercado continua seletivo. Não é qualquer coisa que vai emplacar."

Na avaliação desse executivo, o mercado poderia ter apetite para operações dos setores de varejo e infraestrutura, principalmente.

Em boletim divulgado ontem, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) comemorou a retomada das ofertas no mês passado. A associação ressaltou o fato de que três das cinco operações realizadas no mês passado foram ofertas iniciais – quantidade que não se via desde julho.

As duas empresas que entraram com a análise de oferta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ontem – CPFL Renováveis e Vix – já têm registros de companhia aberta. Ambas as operações embutem recursos para o caixa das empresas e para os acionistas vendedores. A da CPFL deve somar R$ 1,5 bilhão e a da Vix, R$ 600 milhões.

A Taesa, empresa de transmissão de energia elétrica controlada pela Cemig, deve movimentar pelo menos R$ 1 bilhão, mesma quantia pretendida pela LDC Bioenergia, a segunda maior empresa de cana-de-açúcar do país. A oferta Queiroz Galvão Óleo e Gás deve ser a maior, de cerca de R$ 2 bilhões.

Fonte: Valor | Por Ana Paula Ragazzi e Talita Moreira | De São Paulo

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