‘Nova’ Arysta prevê avanço expressivo

Antonio Carlos Costa: maior competitividade em meio a um cenário mais difícil
Os últimos meses têm sido particularmente agitados para a Arysta LifeScience, fabricante de agroquímicos de origem japonesa. Adquirida em fevereiro deste ano pela americana Platform Specialty Products (PSP), a empresa se transformou na locomotiva que deve puxar o crescimento de sua nova controladora no segmento agrícola. A "nova Arysta", que está em processo de integração com outras duas companhias também recém-compradas pela PSP, estreia com um faturamento acima de US$ 2 bilhões e prevê avanço expressivo em 2015.

"Temos um mercado com uma expectativa de crescimento muito baixo ou até ‘flat’. Mas estamos confiantes que com esse novo formato de negócio cresceremos a dois dígitos em 2015", disse ao Valor Fábio Torretta, CEO da Arysta LifeScience para América Latina, região que responde por quase 40% da receita global da múlti.

Aos ativos que já pertenciam à Arysta, a PSP juntou os da belga Agriphar, adquirida em outubro de 2014, e os da americana Chemtura AgroSolutions, negociada no mês seguinte. Juntas, as três empresas faturaram US$ 2,1 bilhões no ano passado, 40% acima da receita de cerca de US$ 1,5 bilhão apurada pela Arysta em 2014. O número ainda não leva em conta o efeito das sinergias vindas com a transação, estimadas em US$ 65 milhões.

A PSP é especializada em química de alta tecnologia, e não tinha operação agrícola até então. Interessada em disputar seu quinhão em um mercado que movimenta mais de US$ 55 bilhões por ano, a companhia saiu à caça de empresas com portfólios complementares em defensivos agrícolas.

Focada na Europa, a Agriphar aposta em fungicidas, e a Chemtura, forte nos EUA, em tratamento de sementes e inseticidas. Já a Arysta tem presença mais marcante em mercados emergentes – América Latina, Ásia e África – e nos segmentos de herbicidas e biossoluções (produtos que aumentam a resistência das plantas, linha reforçada pela compra da francesa Goëmar em 2014). "Foi uma feliz combinação. E houve a decisão de que os produtos dessas empresas passassem a ser vendidos sob a marca Arysta", disse Antonio Carlos Costa, diretor de marketing da companhia para a América Latina.

O aumento do portfólio e o reforço da equipe (agora, são mil funcionários na região) vêm em boa hora, segundo Torretta, tendo em vista a perspectiva de que o mercado cresça apenas 2% este ano no país, como prevê o Sindiveg, que representa a indústria de defensivos. "Nos sentimos mais competitivos, o que é importante quando se tem anos mais difíceis pela frente", disse o CEO.

O negócio permitiu a ampliação da força de vendas da Arysta em 30% no Brasil, país que gera receita próxima de US$ 500 milhões e que ganhou uma unidade própria (antes, respondia à unidade América Latina), presidida pelo agrônomo João Marcos Ferrari. A partir de sua planta em Salto de Pirapora (SP), uma das 12 que mantém no mundo, a empresa planeja continuar voltada para soja, pastagem, cana e hortifrúti.

Em um mercado dominado por gigantes como Syngenta e Bayer CropScience, a Arysta relativiza o peso do market share. "Esse não é nosso ‘drive’ principal. Nosso foco é trabalhar mais com produtos de alto valor, de menos resíduos e toxicidade", disse o CEO Torretta, segundo o qual a Arysta está entre as "top 8" da América Latina.

Fonte: Valor | Por Mariana Caetano | De São Paulo

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