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Congresso Nacional de Milho e sorgo discute inovações e desafios em sistemas produtivos

Sandra Brito - André Dabdab Abichequer (Fepagro),Ana Paula Schneid Afonso da Rosa, Aldo Merotto Júnior, Edemar Valdir Streck

Foto: Sandra Brito

André Dabdab Abichequer (Fepagro),Ana Paula Schneid Afonso da Rosa, Aldo Merotto Júnior, Edemar Valdir Streck

A situação da conservação do solo, a importância do manejo de plantas daninhas e a correta identificação dos insetos pragas nas diversas culturas, principalmente nos sistemas produtivos de milho e sorgo,  foram os temas debatidos na manhã de quarta-feira, 28 de setembro, no 31º Congresso Nacional de Milho e Sorgo, em Bento Gonçalves-RS.

O engenheiro agrônomo Edemar Valdir Streck,  da Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-Ascar-RS), ressaltou que o sistema de manejo de solos, o comportamento das culturas de trigo, soja, aveia e milho e a formação dos solos é diferente nas diversas regiões. Assim como o regime climático é completamente diferente de uma região para outra.

Streck ressaltou que no Estado do Rio Grande do Sul ocorrem áreas de solos rasos, com pouca profundidade. Estes solos possuem baixa capacidade de retenção e de armazenamento de água. Ele recomenda que, para entrar nas áreas, os agricultores precisam planejar a produção e considerar a aptidão agrícola do solo. Para não ocorrer perdas nas lavouras, Streck orienta fazer a correção do solo, se necessário. "Nessas áreas há risco de perda de produção de soja e do milho na ocorrência de pequenas estiagens", disse.

Segundo Streck, é comum se constatar baixa cobertura do solo após a colheita da soja e também a compactação do solo. "A cobertura do solo reduz a perda de água por evaporação; retém e mantém mais água disponível, por mais tempo, para as plantas; e aumenta o tempo para atingir o tempo de murcha", explicou.

Streck também recomendou o plantio de milho para o controle de erosão. "O milho se adapta bem, seus resíduos são mais eficazes em termos de controle da erosão". Outra opção recomendada pelo pesquisador foi realizar a rotação de culturas no sistema plantio direto.

Em seguida, o professor Aldo Merotto Júnior, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), apresentou o tema Inovações tecnológicas e importância do manejo de plantas daninhas na cultura do milho para o sistema de produção agrícola.

Merotto ressaltou os principais problemas associados ao controle de plantas daninhas e que existem 250 espécies resistentes a herbicidas.  "Atualmente, o principal problema, evidentemente, é o custo, seguido da qualidade da aplicação em relação à eficiência dos produtos aplicados em manejo e a resistência de plantas daninhas a herbicidas". Ele destacou, também, que o plantio de milho, na safra ou na safrinha, quando bem conduzido, é uma grande solução para o controle de plantas daninhas para todo o sistema de produção.

Segundo Merotto, existe uma necessidade de inovação com relação ao diagnóstico da resistência de planta. Ele orientou que os técnicos precisam saber o mecanismo de ação dos herbicidas. "Quem maneja adequadamente para a resistência a herbicidas hoje, irá ter a oportunidade de escolher as tecnologias mais econômicas no futuro", afirmou.

Manejo Integrado de Pragas

A pesquisadora da Embrapa Clima Temperado, Ana Paula Schneid Afonso da Rosa, apresentou a realidade do manejo integrado de pragas (MIP) na região de Pelotas-RS e como é feito o MIP no sistema de produção de grãos de terras baixas. Nesta região, a tradição é o cultivo de arroz, que representa 60% da produção nacional do cereal. Porém, Ana Paula ressaltou que, devido à necessidade de diversificação de culturas, a soja foi uma opção para os produtores.

Outra cultura presente na região é o milho. A pesquisadora explicou que o milho tem suas vantagens em terras baixas, principalmente em relação ao controle de plantas daninhas. "O milho tem um sistema radicular que explora camadas mais profundas, trazendo nutrientes à superfície e melhorando a porosidade do solo. Além disso, o cultivo do milho prevê a aplicação de herbicidas com alto controle sobre o arroz vermelho e outras invasoras do arroz".

Em referência ao controle de pragas, Ana Paula Schneid, ressaltou que hoje, além das lagartasSpodopteras, existem uma série de pragas que aparecem de acordo com as condições climáticas e do sistema de produção adotado, entre elas a Helicoverpa spp e a Anticarsia. A lagarta do cartucho(Spodoptera frugiperda) é a principal praga incidente nas culturas da região, por isso é recomendado fazer o monitoramento contínuo nas lavouras. "Ela deixou de ser uma praga exclusiva das lavouras de milho e de arroz", afirmou.

Uma questão importante destacada pela pesquisadora foi a existência de biótipos de lagartas nas lavouras de milho e de arroz. Segundo a pesquisadora, desde 2005, houve uma condição bastante particular, quando foi comprovada a presença de biótipos de insetos nas lavouras do Rio Grande do Sul. "Os biótipos são insetos morfologicamente iguais, que não temos condições de separar, mas eles são fisiologicamente diferentes. E isso reflete em suscetibilidade a inseticidas, resistência de plantas e seleção da planta hospedeira para oviposição. Hoje fazemos um trabalho de conscientização, de monitoramento e de amostragem, para utilizar os produtos na hora certa", explicou.

Sandra Brito (MG 06230 JP)
Embrapa Milho e Sorgo

Fonte : Embrapa