No Rio Grande do Sul, estiagem ainda é a principal preocupação

Apesar da pandemia de coronavírus estar no holofote das notícias, para o setor de máquinas agrícolas gaúcho, o principal desafio ainda são os efeitos da estiagem no bolso dos produtores do Estado.Com uma estimativa, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) de retração de 46% na safra de soja, principal cultura de verão no Rio Grande do Sul, as perspectivas para os negócios no Estado não são animadoras.

“O produtor gaúcho deverá comprar muito pouco. Ele perdeu o ano, não terá renda suficiente em 2020”, afirma Cláudio Bier, presidente do Simers. A opinião pessimista é compartilhada por Roberto Manuel Saldanha, diretor da Fenabrave-RS. “A seca arrasadora que perdura aqui no Estado é, sem dúvida, o maior problema, mas ficou em segundo plano nos noticiários.” Para Saldanha, outros estados do Brasil deverão ser o foco dos fabricantes. “O ano foi frustrado só no Sul. Mas, no Centro-Oeste e em outras regiões, a colheita foi normal. Aqui, só com a volta das chuvas para ter uma ideia de como ficará o ano.” Bier também acredita que as indústrias gaúchas de máquinas ainda podem ter bons resultados conforme se concretizaram negócios nos outros estados. O presidente do Simers lembra que o Rio Grande do Sul representa apenas 11% das vendas das indústrias do setor instaladas no Estado. “No resto do Brasil inteiro, a safra dos principais produtos – como soja, milho, algodão, cana-de-açúcar – foi boa. E o preço das commodities está muito bom”, destaca. “O problema é que, com essa insegurança, quem tem dinheiro ou produto está guardando. Temos que ver como a pandemia avança e como vai fechar o segundo trimestre para ter uma noção mais clara para o ano”, afirma.

Fonte: Jornal do Comércio

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