No Nordeste, setor agrário se recupera, mas restante da economia impede alta

Nordeste foi a região mais afetada pela crise, com queda de PIB de 9,1% em 2015 e 2016. A saída da recessão na região também é mais lenta, com expansão prevista pela Tendências Consultoria de 3% em 2017 e 2018. A quebra de safra de 2016 teve efeito devastador sobre a região, com recuo do PIB agro de 23,6% no ano passado, tombo que será integralmente recuperado com o avanço projetado de 24,7% do PIB agropecuário em 2017.

"O resto da economia do Nordeste está tirando essa contribuição positiva do agro", avalia Adriano Pitoli, sócio da Tendências. O economista lembra que somente de 2008 a 2014 a região conseguiu crescer acima da média do Brasil, devido em grande parte a estímulos governamentais ao investimento na região, como a construção da refinaria Abreu e Lima pela Petrobras, a instalação do Estaleiro Atlântico Sul, a construção da ferrovia transnordestina e a atração de fábrica da Fiat para Pernambuco e de siderúrgicas ao Ceará.

"Com a crise e o ocaso dos governos petistas, esse desenho de desenvolvimento econômico mostrou-se extremamente frágil", avalia Pitoli. "Isso faz com que o Nordeste precise buscar novas vocações econômicas, porque essa que foi planejada não deu certo."

Aristides Monteiro Neto, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e especialista em desenvolvimento regional, discorda que o modelo petista de desenvolvimento para o Nordeste tenha fracassado. "Os investimentos e gastos governamentais resultaram em elevadas taxas de crescimento do PIB e em redução da pobreza e da desigualdade, portanto, a região deu retornos expressivos aos investimento realizados", afirma.

Para o especialista, a questão é que, tradicionalmente, a região Nordeste recebe muito menos investimentos estruturadores do que o restante do país. "O Nordeste carece de uma base de infraestrutura de transportes e comunicações e de recursos hídricos bem mais robusta que a presente atualmente", avalia. "Portanto, a boa política regional deveria se ocupar de criar externalidades positivas para facilitação do investimento privado."

A eleição de 2018 é vista por ambos os economistas como principal ameaça ao processo de recuperação econômica em curso. "Em ano de eleição, o setor privado tende a ser precavido e não realizar investimento novo. Portanto, podemos ter mais um ano de muito baixo crescimento", acredita Monteiro Neto.

Já para Pitoli o resultado da eleição é o maior fator de preocupação. "Se tiver a eleição de um novo populista, à direita ou à esquerda, corremos sério risco de voltar a trilhar um caminho de crise econômica. O risco é grande", considera.

Por Thais Carrança | De São Paulo

Fonte : Valor

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