No G-20, país atacará protecionismo agrícola

O Brasil fará uma forte ofensiva pela agricultura do país, hoje e amanhã, na reunião de ministros de Relações Exteriores do G-20, formada pelas maiores economias desenvolvidas e emergentes. Os objetivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas estão entre os temas da agenda da reunião. A Alemanha quer ir adiante na cooperação internacional, enquanto os EUA parecem dispostos a fazer menos esforço nessa área.

Do lado brasileiro, o ministro José Serra pretende insistir na ideia de prevenção contra crises. Para o Brasil, isso passa, por exemplo, pelo desmonte do protecionismo no comércio mundial de alimentos. Para o representante brasileiro, esse é o tipo de barreira que fomenta migração, tema no centro de turbulências em várias partes do mundo.

Além disso, Serra vai procurar demonstrar que a agricultura brasileira é a mais sustentável do mundo, ao contrário de certas críticas sobre o uso da terra, sobretudo na Europa. O ministro apresentará dados mostrando que 61% das florestas nativas do país subsistem. Na média global, esse percentual é de apenas 3%.

Conforme o argumento do ministro, a agricultura brasileira deixou de usar 30 milhões de hectares, mas mesmo com menos uso de terra a produção está mais alta, ilustrando a eficiência no setor.

Outra questão acompanhada com atenção no G-20 é a aparente intenção dos EUA de cortar a ajuda a programas das Nações Unidas. Os EUA são o país que mais contribui para a ONU com 22% do orçamento, calculado por um acordo internacional que leva em conta a riqueza do país.

Essa contribuição paga despesas que vão de eletricidade na sede em Nova York a investigações sobre desrespeito aos direitos humanos. Além disso, Washington faz contribuições voluntárias para programas da ONU para alimentação e ajuda a refugiados. Um esboço de projeto, revelado pelo "The New York Times", indica que Trump quer cortar pelo menos 40% desses fundos voluntários.

Por Assis Moreira | De Bonn

Fonte : Valor

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