No agro, colheitadeiras se saíram melhor

 

Executivo do setor de motores avalia que o equipamento está tendo bom desempenho diante de queda geral na venda de máquinas

Marina Salles

Foto:Felipe Barros/ AprosojaAmpliar fotoNo agro, colheitadeiras se saíram melhor

De janeiro a abril de 2016, foram vendidas 1.091 unidades do equipamento

Em entrevista ao Portal DBO, Marco Aurélio Rangel, presidente da FPT Industrial para a América Latina, fez uma análise do mercado de veículos automotores relacionados ao universo do agro. De acordo com ele, enquanto os tratores registram quedas nas vendas desde o ano passado, o cenário para as colheitadeiras é mais promissor. Outro ponto que chama a atenção é o estancamento da produção e comercialização de caminhões.

Colheitadeiras

Segundo o executivo, no segmento de grãos, o cenário positivo para as colheitadeiras é reflexo de dois movimentos. O primeiro deles é o preço da soja e do milho, que têm mostrado tendência de alta nos últimos meses. “Isso ajuda a incentivar o agricultor a aumentar a produção”, diz Rangel. Em fevereiro, o preço da saca de milho, segundo o indicador Cepea/ Esalq, passou de R$ 43. Hoje, está em R$ 49,45. No caso da soja, nos primeiros cinco dias de fevereiro, a média de preço era R$ 78,58/ saca, estando a mesma cotada a R$ 79,26 nesta quinta-feira, 5.

O segundo motivo apontado é a safra recorde, que contribui para que o produtor tenha melhores rendimentos. A observação é válida não só para os grãos. “No segmento de colheitadeiras especiais para cana-de-açúcar e café, a tendência de equilíbrio também é verificada porque os preços estão em alta”, afirma Rangel. Especialmente para a cana, ele faz a ressalva de que o volume de mercado é representativo, sendo mais um indicador do potencial das colheitadeiras.

De janeiro a abril de 2016, foram vendidas 1.091 unidades do equipamento fabricado no Brasil no mercado interno. Em 2015, tinham sido 1.374, no mesmo período, de acordo com a Anfavea. Comparativamente, houve queda de 20,6%. No entanto, no mesmo período, a venda de tratores de rodas produzidos nacionalmente caiu 41,8%, indo de 13.550 de janeiro a abril do ano passado para 7.888 unidades no mesmo intervalo deste ano.

Tratores

No caso dos tratores, a justificativa para o cenário menos otimista é a renovação recente da frota, acompanhada da insegurança do comprador. “Sabemos que o setor se preocupa muito com o que vai acontecer daqui a pouco, com a safra do ano que vem, com as condições de financiamento, e a gente acredita que há um movimento natural de as pessoas esperarem para comprar esse tipo de maquinário”.

Caminhões

O contrasenso, na opinião de Rangel, é o que se vê na indústria de veículos pesados para o transporte de carga. “Tivemos colheita recorde e ao mesmo tempo não houve um aumento na venda de caminhões para essa colheita escoar”, afirma.

De acordo com ele, uma renovação natural vem ocorrendo desde 2011/2012, em resposta à publicação da legislação que ficou conhecida como Euro 5. O objetivo dela foi reduzir as emissões de gases poluentes por ônibus e caminhões. “Então, necessidade tem e demanda tem. Sem falar que, no Brasil, não dispomos de uma alternativa que seja tão abrangente quanto o modal rodoviário”, completa.

A expectativa é de que a confiança retorne para esse setor – que vive ainda uma crise de ociosidade em relação à sua capacidade produtiva instalada. “Estamos falando de um mercado que, segundo números da Anfavea, tem condições de produzir 300 mil caminhões/ ano e está produzindo 75 mil/ ano”, conclui Rangel. De acordo com carta de maio da Anfavea, o número de licenciamentos de caminhões passou de 25.095, entre janeiro a abril de 2015, para 17.313 até abril de 2016.

Fonte: Portal DBO