Único setor em alta no PIB do 1º trimestre, agronegócio precisa resistir a impacto da queda na indústria

Vivendo um ‘oásis’ dentro de uma economia abalada pela pandemia do coronavírus, segmento cresceu puxado pela agropecuária básica.

Por Darlan Alvarenga e Raphael Martins, G1

29/05/2020 11h56 Atualizado há 2 dias


Soja deve bater recorde de produção no ano — Foto: Reprodução/RPC

Soja deve bater recorde de produção no ano — Foto: Reprodução/RPC

O agronegócio foi o único setor a registrar alta no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no 1º trimestre, na comparação com os 3 últimos meses de 2019, segundo divulgou nesta sexta-feira (29) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O crescimento foi leve, de 0,6%, impulsionado pela safra da soja que tem, inclusive, perspectiva de recorde para esse ano. Os demais grandes setores da economia, indústria e serviços, sucumbiram aos primeiros efeitos da pandemia do coronavírus, que os obrigou a fechar as portas diante das medidas de isolamento implementadas em meados de março.

Considerado essencial para evitar o desabastecimento de alimentos no país durante a pandemia, o setor agrícola não chegou a parar.

E a alta foi puxada justamente a atividade agropecuária básica, não a agroindústria. Com a safra plantada e boas condições climáticas, o resultado veio mesmo com a contração de renda do brasileiro. O dólar alto em relação ao real também ajudou.

Variação do PIB por setores da economia — Foto: Rodrigo Sanches/G1

Variação do PIB por setores da economia — Foto: Rodrigo Sanches/G1

"Exceto no Rio Grande do Sul, a chuva demorou, mas chegou. A safra veio cheia. De fato, há uma percepção de que o setor ficou mais imune a pandemia", diz o economista Felippe Serigati, professor da FGV Agro.

O que vem por aí

"Agora, é se preparar para a próxima safra com preço formado no exterior e voltado para exportação, que dará fôlego de caixa por conta de câmbio elevado", afirma. "Com boas notícias, dá para segurar o acumulado do ano."

O desafio do setor é não se deixar impactar pela queda da indústria que depende dos insumos do agronegócio, com a produção de bebidas e produtos não-alimentícios, como têxtil, biocombustíveis, papel e celulose, fumo, borracha e tantos outros.

Outra ameaça, mais ligada à pandemia, é a interdição da cadeia de produção animal, em uma situação próxima ao que se observa nos Estados Unidos. Por lá, frigoríficos foram fechados pela alta contaminação de trabalhadores pela Covid-19, causando desabastecimento.

O Sul do Brasil e Mato Grosso registraram os primeiros problemas, mas ainda sem perigo de uma crise de oferta.

"A produção de carnes, se não houver um episódio parecido com o dos Estados Unidos e se der destaque para exportação, pode se beneficiar de um preço mais competitivo", diz Serigatti. "O mesmo vale para insumos agrícolas, que competem melhor com os importados em tempos de dólar alto."

O Ipea avalia que o PIB do setor agropecuário brasileiro deve fechar o ano com crescimento de 2,5%, sustentado pela perspectiva de safra recorde e aumento das exportações de carnes.

No cenário de maior estresse, considerando os riscos de um maior impacto da Covid-19 sobre a demanda por produtos agropecuários, o Ipea projeta uma alta de 1,3% no PIB do setor.

PIB encolhe 1,5% com pandemia e economia regride ao patamar de 2012

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Fonte: G1