Nespresso está entre os maiores clientes

Durante muitos anos, a Ipanema Coffees foi conhecida por ser a fornecedora exclusiva do Brasil para a rede de cafeterias americana Starbucks. Isso foi entre 1997 e 2007, antes da popularização da rede americana, o que levou à ampliação de sua demanda por cafés do Brasil e de outras regiões produtoras do mundo. Embora não seja mais a única brasileira a fornecer para a Starbucks, a Ipanema ainda vende à rede grãos para uma linha de cafés especiais chamada Reserve.

Contudo, a americana não figura mais entre os principais clientes da Ipanema. Hoje uma das mais importantes é a suíça Nestlé que utiliza cafés da empresa brasileira em blends Nespresso. Há ainda a alemã Tchibo, que tem rede de lojas de conveniência na Alemanha e países do Leste Europeu, a Jacobs Douwe Egberts (JDE) e a japonesa Lawson.

Como reflexo de um plano de crescimento traçado a partir dos anos 2000 para aumentar as vendas e a presença no mercado externo, a Ipanema ampliou seu portfólio de clientes e regiões de atuação. "Há dez anos, tínhamos presença zero na região do Pacífico. Hoje, 50% das vendas da Ipanema são para a região", afirma Washington Rodrigues, CEO da Ipanema.

Ele diz que esse mercado é mais remunerador em termos de preço que a Europa, por exemplo, onde os players estão mais concentrados. Na região do Pacífico, o café da Ipanema está em países como Japão, Coreia do Sul, China, Austrália, Nova Zelândia e Taiwan. O produto é vendido para torrefadores ou está nas cafeterias, para ser vendido ao cliente final.

Com preços que chegam a ter prêmios de mais de 60% em relação ao café tradicional, a Ipanema encerrou 2015 com uma receita líquida de R$ 160 milhões – 60% maior do que no ano anterior. A expectativa, de acordo com Rodrigues, é repetir neste ano o número de 2015, em virtude da queda dos preços do café no mercado internacional.

Ele explica que o forte crescimento da receita em 2015 é resultado da renovação dos cafezais, entre 2010 e 2014. Enquanto a renovação ocorria, houve queda na colheita porque as árvores só começam a produzir a partir de quatro anos de idade. Com os cafeeiros já em produção, a colheita aumentou e a receita também.

Os investimentos da Ipanema em renovação dos cafezais e em irrigação, aliás, prosseguem. Os aportes fazem parte de um plano da empresa definido para o período de 2010 a 2017, que prevê desembolso total de R$ 100 milhões. Segundo Rodrigues, há ainda R$ 30 milhões a serem aplicados.

A empresa também tem investido em equipamentos para beneficiamento do café. Entre as aquisições estão máquinas da Colômbia, o maior produtor de arábica lavado do mundo. Desde 2014, foram gastos R$ 6 milhões, e a previsão é investir mais cerca de R$ 20 milhões nos próximos dois anos, de acordo com o CEO da companhia.

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo
Fonte : Valor

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