NEGÓCIOS | Crédito sustentável

Sobram recursos em programa de estímulo a práticas que aliam cuidado ambiental e ganhos econômicos

Lançado na safra 2010/2011, o plano que prevê incentivar a cultura de baixo carbono na agricultura só recentemente começou a avançar no Rio Grande do Sul. Tendo como um dos pilares o crédito com juro de 5% ao ano, abaixo da inflação, o que representa subsídio, e até 180 meses para pagamento, o Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura nome completo do pouco conhecido Plano ABC pretende incentivar práticas que colaborem na redução da emissão dos gases causadores do efeito estufa.
No Estado, foi fechado um contrato no primeiro ano. Na safra 2012/2013, o sistema ganhou 898 adesões. E sobraram recursos para projetos no país: ficaram em caixa R$ 500 milhões dos R$ 3,5 bilhões previstos para a temporada. Dos R$ 4,5 bilhões destinados a 2013/2014, só R$ 647,3 milhões foram utilizados até agora.
A dificuldade do produtor em perceber lucro no curto prazo, aliada à exigência de projetos de maior complexidade para liberação do crédito e à concorrência de outras linha de financiamento, com taxas ainda menores, estão entre os motivos citados por especialistas para a baixa procura.
– O número de contratos está menor do que na safra 2012/2013. Ficamos um pouco desapontados. Não sabemos a razão de isso ter ocorrido – diz Angelo Gurgel, coordenador do Observatório ABC, entidade criada pela Fundação Getulio Vargas (FGV) para debater o tema.
A decisão de incentivar o produtor a adotar práticas que aliem cuidado ambiental e ganhos econômicos foi tomada após o Brasil assumir compromisso voluntário de redução de emissão de gases com a Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil e no Estado, 80% dos contratos fechados com o Programa ABC estão vinculados à recuperação de pastagens e à integração lavoura-pecuária-floresta (veja lista completa nas páginas seguintes), justamente ações que mais contribuem para redução das emissões e ampliam a retenção do gás carbônico (CO2)no solo. Apesar dos números ainda modestos, o Ministério da Agricultura faz uma avaliação positiva da procura.
– Qualquer linha de crédito que se lance não flui rapidamente. É uma roda que demora a pegar velocidade. Isso também porque são projetos mais elaborados e com implementação complexa – avalia o coordenador do plano no Ministério da Agricultura, Elvison Nunes Ramos.
vagner.benites@zerohora.com.br

VAGNER BENITES

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Fonte: Zero Hora

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