Negócio entre Camil e SLC baliza focos de atuação

Anunciada na sexta-feira passada por R$ 308 milhões, valor que inclui um endividamento líquido de R$ 128 milhões, a aquisição da SLC Alimentos pela Camil Alimentos pode ser considerada um "balizador" de focos de autuação.

Para a Camil, é a chance de ganhar ainda mais escala nos mercados de arroz e feijão, incorporar marcas relevantes como Namorado ao seu portfólio e acelerar o avanço nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste do país, além de ampliar as exportações. Para o Grupo SLC, significa a oportunidade de se concentrar na SLC Agrícola, produtora de grãos com ações negociadas na B3 com perspectivas positivas nas áreas de soja, milho e algodão – o grupo também controla a SLC Comercial.

A Camil já é uma das maiores processadoras de arroz e feijão da América do Sul, mas, entre outros negócios no Brasil e em vizinhos do continente, também é dona das marcas de açúcar União e Da Barra e da Coqueiro, de pescados. Registrou receita líquida de R$ 4,7 bilhões em 2017, quando obteve Ebitda de R$ 490 milhões e lucrou R$ 251 milhões.

Se as linhas de arroz e feijão da SLC Alimentos já tivessem sido incorporadas pela Camil em 2017, a receita líquida da companhia teria somado R$ 5,2 bilhões, o Ebitda teria alcançado R$ 522 milhões e o lucro líquido teria sido de R$ 263 milhões. "Desde a abertura de capital, em 2017, estávamos em busca de uma companhia que complementasse nossa atuação e agregasse participação em mercados estratégicos (…) Faz todo o sentido adquirirmos uma marca relevante como Namorado", afirmou Luciano Quartiero, CEO da Camil Alimentos, em comunicado.

Além da Namorado, a Camil passa a ser dona das marcas Butuí, bonzão e Americano, e a controlar as unidades de produção da SLC Alimentos em Alegrete (RS), Capão do Leão (RS), Jaboatão dos Guararapes (PE), Paraíso do Tocantins (TO) e Tatuí (SP). Com a transação, a fatia da Camil no mercado de arroz da Grande São Paulo aumentará de 32% para 37%; no Brasil, subirá de 7% para 9%. O negócio ainda depende da aprovação do Cade.

Por Kauanna Navarro | De São Paulo

Fonte : Valor

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