Índice de confiança do agronegócio do RS cresce no segundo trimestre

Pesquisa mostra que, depois das perdas no verão, produção da estação mais fria ajuda a melhorar o otimismo do produtor gaúcho

17/08/2020 – 10h12minAtualizada em 17/08/2020 – 10h12min
GISELE LOEBLEIN

Produtor com quebra de safra no verão tem medo do tempo no ciclo de inverno. Neste momento, no entanto, cotações valorizadas e desenvolvimento favorável das lavouras têm conseguindo ampliar o otimismo. É o que mostra o Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro) do segundo trimestre. Na avaliação feita com agricultores, o Rio Grande do Sul subiu  de 106 pontos no primeiro trimestre para quase 116,6 no segundo, alinhando-se ao cenário nacional (116,8 pontos). Pela metodologia, pontuação acima de cem indica satisfação/otimismo. 

A melhora na avaliação gaúcha é atribuída ao cenário positivo no cultivo do trigo. A área semeada cresceu mais de 20% na comparação com a do ano passado. Com preços em ascensão – o valor médio da tonelada em reais em agosto, segundo indicador Cepea/Esalq, é o maior em dois anos. Soma-se a isso relação de troca (gastos e receita), considerada a melhor em duas décadas, e cria-se uma expectativa de bons resultados financeiros, capazes de diluir parte do prejuízo com as perdas no verão.

Para isso, o clima precisa continuar colaborando. Em conversa com produtores, todos se mostram esperançosos, diante do que têm testemunhado no campo até agora. Sempre com a ressalva de que, no trigo, a garantia de alta produtividade só vem com a safra colhida. A partir de agora, semana a semana, as lavouras avançam para a  floração – que alcançava 11% da área total cultivada no dado mais recente da Emater. É a partir dessa etapa que fica mais suscetível a fenômenos extremos do tempo.

No geral, o índice de confiança do agronegócio brasileiro (somados os índices de produtor, indústria antes e depois da porteira) também avançou. Os 111,7 pontos no segundo trimestre são 11,3 a mais do que no anterior. Christian Lohbauer, presidente da Croplife Brasil, uma das realizadoras da pesquisa ao lado de Fiesp, entende que há um processo de recuperação de ânimo, depois de um início de ano marcado pela covid-19

– Ainda há uma certa desconfiança em relação às condições atuais, tanto na indústria de insumos agropecuários quanto nas empresas "depois da porteira",  mas é fato que as perspectivas para os próximos meses melhoraram expressivamente, justificando a confiança em alta.

Fonte: Zero Hora

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