Índice de alimentos da FAO volta a subir

Após dois meses de estabilidade, o índice de preços globais de alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) voltou a subir em setembro, o que mantém vivas as preocupações em torno de uma eventual crise "agroinflacionária" como as de 2008 ou 2010.

Levantamento divulgado ontem mostrou que o indicador subiu para 216 pontos, ante os 213 de julho e agosto. O repique de 1,4% foi puxado sobretudo pelas valorizações de carnes e lácteos, ainda que os cereais também tenham colaborado para o movimento observado.

Com a alta, o índice consolidado de alimentos voltou ao maior patamar observado neste ano, o mesmo de fevereiro e março. Em relação a setembro de 2011, porém, há queda de 4% (ver gráficos). Na comparação com a média do ano passado (228 pontos), a maior já registrada pela FAO, os 216 pontos de setembro representam queda de 5,3%.

Entre os grupos que compõem o indicador, o que mais subiu em termos absolutos foram os lácteos. O índice específico do segmento passou de 176 pontos, em agosto, para 188 em setembro, ainda abaixo do pico de 2012, alcançado em janeiro (207), e de setembro de 2011 (215). Segundo a FAO, aumento de custos e demanda aquecida explicam a alta.

Já o índice das carnes subiu de 171 pontos, em agosto, para 175 em setembro, abaixo do maior nível do ano, em abril (180), e de setembro de 2011 (177). O salto mensal foi provocado pelas carnes suína e de frango, que embutiram em seus preços parte da alta de custos causada pela recente disparada dos grãos decorrente da quebra da produção nos EUA, prejudicada pela mais severa seca no país em mais de 50 anos.

Por causa dessa estiagem, o índice de cereais que ajuda a compor o de alimentos havia subido de 222 pontos, em junho, para 260 em julho e agosto. Em setembro, ainda por conta dos reflexos do problema climático, chegou a 263 pontos. Trata-se, até agora, do teto de 2012, 7,8% superior ao resultado de setembro de 2011.

Também ontem, a FAO divulgou que a produção global de cereais deverá alcançar 2,286 bilhões de toneladas nesta temporada 2012/13, 0,4% menos que o previsto em setembro e 2,6% abaixo da colheita de 2011/12. A safra atual está em fase de colheita no Hemisfério Norte e de plantio no Hemisfério Sul.

A FAO até prevê queda da demanda mundial em 2012/13 sobre 2011/12, mas como a retração apontada é levíssima (0,1%), a relação entre estoques e consumo estimada pelo órgão cai de 22,8% para 20,7%, e é essa queda que está no âmago dos temores de uma nova crise "agroinflacionária".

De volta ao índice de preços de alimentos, houve refrescos nos grupos de óleos e gorduras e açúcar. O indicador do primeiro recuou de 226 pontos, em agosto, para 225 em setembro, enquanto o do segundo caiu de 296 para 284.

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Fonte: Valor | Por Fernanda Pressinott e Fernando Lopes | De São Paulo

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