NATUREZA EM CONFLITO | Quem perde é o ambiente

Embate entre empresários e ecologistas não leva a soluções para os dois lados envolvidos

Cada vez que se projeta uma intervenção urbana, começa uma briga entre ambientalistas e empresários. Os primeiros defendem a preservação. Os segundos, a construção. Em Porto Alegre, por exemplo, a derrubada de árvores para o alargamento de ruas se torna caso de Polícia. Mas será que os dois lados são realmente opostos? Na Semana do Meio Ambiente, em que se debatem alternativas a sistemas poluentes e devastadores da natureza, a questão vem novamente à tona.

A diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, Márcia Hirota, avalia que ambas podem estar relacionadas. ‘A gente costuma colocar a situação como se tivesse dois lados, mas tudo está de um lado só. A floresta protege as principais nascentes e o fluxo hídrico não só para o consumo, mas também para todos os setores da economia’, observa, citando que grande parte da água é destinada ao setor agropecuário. Na opinião de Márcia, o desenvolvimento precisa acontecer aliado aos patrimônios ambientais. O país poderia, inclusive, lucrar com o turismo ecológico, caso fossem exploradas as paisagens. ‘A conservação seria um caminho para o desenvolvimento regional.’

Para especialistas, problemas de gestão e a burocracia na liberação de obras criam uma disputa. Contudo, existem novas ideias relacionando pesquisa, tecnologia, práticas sustentáveis, economia de recursos, uso de fontes alternativas de energia e materiais recicláveis, que proporcionam retorno a empreendedores e ao ambiente. O MiniMod, protótipo gaúcho selecionado para a Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo – que ocorrerá em outubro na Argentina, reunindo 182 obras de 18 países – foi produzido com essa lógica: 100% industrializado. Um dos idealizadores, o arquiteto Luciano Andrades, explica que essa tecnologia permite um controle maior das etapas e evita o desperdício. ‘A redução de resíduos é extremamente favorável. Conseguimos ter economia muito grande também de tempo.’

Implantada na fazenda Pontal, em Maquiné, a casa pré-fabricada, que pode ser transportada em um caminhão, ainda alia soluções capazes de reduzir a emissão de CO2, além de filtrar e reaproveitar a água da chuva via cobertura verde. Ela tem ainda a fachada ventilada.

Fonte: Correio do Povo

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