Na BM&F, só boi sobe em 2013

Pressionadas pelo avanço da colheita de grãos e cana-de-açúcar no Brasil, as commodities agrícolas negociadas no mercado futuro de São Paulo caíram em abril, aprofundando a tendência baixista para 2013. Entre os cinco produtos agropecuários negociados na BM&FBovespa, o boi gordo é o único a dar sinais de resistência, com claro viés de alta.

Conforme levantamento do Valor Data com base nos contratos futuros de segunda posição de entrega, o milho liderou a baixa. Em abril (o balanço foi fechado no dia 29), o preço médio do grão recuou 8,09% ante o mês anterior, para R$ 24,91 por saca. Em relação à média de dezembro de 2012, a queda chega a 22,88%.

As cotações do milho na bolsa paulista reagiram à forte pressão baixista oriunda tanto do Brasil, cuja colheita avança e promete atingir o recorde de 77,4 milhões de toneladas, conforme a última estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), quanto da perspectiva para o plantio da commodity nos Estados Unidos (ver acima).

Uma produção igualmente recorde no Brasil também pesou sobre os futuros da soja na BM&FBovespa em abril. O preço médio da oleaginosa caiu 3,33% no mês, para US$ 27,12 a saca. Com isso, o grão acumula uma retração de 11,04% sobre a média de dezembro

Outro produto que recuou em abril foi o etanol, que foi pressionado pelo início da colheita de cana-de-açúcar na região Centro-Sul do país, que responde por 90% da produção do biocombustível no Brasil (ver página B13). No mês, os contratos futuros de etanol caíram 1,33%, para R$ 1.154,38 por m3. Sobre dezembro, a queda é de 2%.

Em cenário amplamente desfavorável, os futuros do café arábica deram uma trégua em abril. Os papéis ficaram praticamente estáveis (alta de 0,39%), a US$ 169,49 a saca. No entanto, acumulam uma desvalorização de 9,54% entre janeiro e abril, e a tendência é de baixa, uma vez que o Brasil, maior produtor global da commodity, acabou de iniciar a colheita da maior safra da história para um ano de baixa do ciclo bianual do café. A Conab estima uma colheita superior a 50 milhões de sacas.

Nesse contexto, o boi gordo é o único a destoar da tendência baixista no mercado futuro de São Paulo. Em abril, o preço médio do animal subiu 0,39% na BM&FBovespa, a R$ 96,90 por arroba. Apesar da modesta alta no mês, o boi gordo registra uma valorização de 2,35% em relação a dezembro – e, no primeiro quadrimestre, os preços costumam recuar devido à maior oferta de gado. "É um comportamento atípico para o período da safra", diz o analista Douglas Coelho, da Scot Consultoria.

"Atípico" neste ano é que essa oferta está sendo absorvida pela forte demanda para exportação. Só no primeiro trimestre, os embarques de carne bovina saltaram 26,3%. O consumo interno também segue aquecido. "Nos primeiros quatro meses, houve um aumento de abate de 10%. A indústria está com fome", estima Fabiano Tito Rosa, gerente de pesquisa de mercado da Minerva Foods.

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Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

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