Na BM&F, mais baixas do que altas em junho

Os mercados futuros de commodities da BM&FBovespa acompanharam o cenário externo e voltaram a amargar perdas em junho. De acordo com levantamento do Valor Data, os preços médios de três dos cinco produtos negociados na bolsa paulista recuaram no período.

Os preços do café foram os mais castigados. O contrato de segunda posição de entrega (normalmente, os de maior liquidez) registrou desvalorização de 10,40% em relação à média de maio, cotados a US$ 198,72 a saca. Com o recuo, a commodity completou seu nono mês seguido de queda em São Paulo. O mercado já cedeu 33,6% só em 2012. Nos últimos 12 meses, a perda acumulada chega a 40,8%.

O mercado de café segue pressionado pela colheita de uma safra recorde no Brasil e pela expectativa de recomposição dos estoques na safra 2012/13. Além disso, o verão do Hemisfério Norte é um período de demanda mais fraca por parte dos maiores consumidores globais da commodity.

Os contratos futuros de milho também sofreram desvalorização. Os preços do grão cederam 4,63% em relação à média de maio, para R$ 23,65 por saca. Junho foi o terceiro mês seguido de queda do milho, o que se explica pela entrada de uma safra recorde no Brasil e pela expectativa de uma produção também sem precedentes nos Estados Unidos, no segundo semestre. O grão acumula queda de 9% em 2012 e 22,2% no ano.

A preocupação com o clima seco no Meio-Oeste americano e seu impacto sobre a colheita deve dar algum suporte aos preços do milho no mercado internacional nas próximas semanas, o que pode aliviar a pressão também sobre as cotações no mercado doméstico. Uma melhora das condições deve, porém, abrir caminho para uma queda ainda mais expressiva.

Os futuros de etanol também ficaram mais baratos em junho. O biocombustível fechou o mês com preço médio de R$ 1.148,58 por metro cúbico, uma perda de 1,5% no mês. Embora tenham caído 11,39% desde o início do ano, os preços estão praticamente estáveis (-0,29%) em relação aos níveis de um ano atrás.

Apesar do atraso na colheita e moagem da cana-de-açúcar, por causa das chuvas no Centro-Sul, o mercado já sente os efeitos da entrada da safra 2012/13. O aumento da produção de etanol deve pesar de modo ainda mais evidente sobre os preços nos próximos meses. Por outro lado, o setor acompanha de perto a discussão sobre a reajuste nos preços da gasolina. Uma eventual elevação do combustível fóssil abre caminho para um aumento da demanda por álcool, com reflexos positivos sobre as cotações.

Já os preços da soja registraram leve alta em junho. Na média, os contratos fecharam o mês cotados a US$ 32,31 por saca – alta de 0,58% em relação a maio, 22,93% no ano e 6,19% em 12 meses. O mercado doméstico da soja segue sustentado pela escassez de produto e a demanda aquecida, cenário que deve manter os preços elevados pelo menos até a definição do tamanho da próxima safra americana, no terceiro trimestre.

Os contratos de boi gordo também ficaram praticamente estáveis (+ 0,13%), embora ainda acumulem queda de 3,2% em 2012 e 4,1% nos últimos 12 meses. A tendência é que os preços fiquem mais sustentados nos próximos meses, à medida que o mercado se aproxime da entressafra.

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Fonte: Valor | Por Gerson Freitas Jr. | De São Paulo

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