Na BM&F, boi gordo se valoriza ainda mais

Depois de sofrerem com preços firmes em plena safra no primeiro quadrimestre do ano, os frigoríficos de carne bovina do país viram o mês de junho consolidar a perspectiva de entressafra salgada, com oferta mais restrita de boi.

Conforme levantamento do Valor Data, com base nos contratos futuros de segunda posição de entrega na BM&FBovespa, o preço médio do boi gordo subiu 3,62% em junho (o balanço foi fechado ontem) na comparação com a média do mês anterior, para R$ 100,76 por arroba. Entre os cinco produtos agropecuários negociados na bolsa paulista, o boi gordo é o único que registra alta em 2013, de 6,42%. Nos últimos 12 meses, a valorização é de 6,15%.

O comportamento dos contratos futuros de boi gordo em junho sinaliza que o chamado primeiro giro de confinamento ficará mais vazio, o que impulsiona ainda mais o preço no período da entressafra, que vai de maio a novembro. Tradicionalmente, a oferta de bovinos criados em confinamento complementa a demanda dos frigoríficos na entressafra, uma vez que o clima mais seco prejudica as pastagens, reduzindo a oferta de gado criado no pasto. Estima-se que 10% dos bovinos abatidos anualmente no país sejam provenientes dos confinamentos.

Acontece que, na primeira metade da entressafra, a oferta de animais criados no sistema intensivo ainda é restrita. "As boiadas de confinamento não são negociadas a ponto de pressionar o mercado", diz o analista da Scot Consultoria, Douglas Coelho. Assim, já há preocupação de que haja um "vácuo" na oferta de boi gordo em julho, impulsionando os contratos na BM&FBovespa.

Mas os futuros de boi gordo não foram os únicos a subir em junho. No período, o preço médio da soja negociada na bolsa paulista registrou uma alta de 5,77% ante a média de maio, a US$ 28,44 a saca, na esteira das oscilações na bolsa de Chicago (ver matéria acima). Em 2013, a cotação média da oleaginosa recuou 12,2% na BM&F.

Em intensidade menor, os contratos futuros de milho também se valorizaram em junho. Na comparação com a média de maio, o preço do grão subiu 1,72%. Em 2013, no entanto, o preço médio do milho tombou 21,6% pressionado pelas safras recorde no Brasil e nos EUA.

Os contratos futuros de etanol, por sua vez, seguiram na tendência de queda em junho, refletindo a maior produção de cana-de-açúcar na safra 2013/14 no Centro-Sul do país, principal região produtora de açúcar e etanol. Desde o início da safra, no fim de março, até 1º de junho, o processamento de cana na região totalizou 116,1 milhões de toneladas, salto de 63,9% ante o mesmo intervalo do ciclo anterior, segundo estimativas da consultoria Datagro. Diante disso, os papéis negociados na bolsa paulista reagiram, caindo 1,1% em junho na comparação com a média de maio. No ano, os contratos caíram 10,2%.

No caso do café, a preocupação com os elevados estoques globais impactou os preços mais uma vez. Em junho, a cotação média da commodity sofreu uma queda de 8,06% ante maio, e de 17,4% no ano.

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Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

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