Mundo tem fome, mas alimentos estão caros e escassos

Incrivelmente, a crise não só continua como piora na União Europeia (UE). Mas o Brasil, segundo os melhores analistas, com suas commodities agrícolas, não foi tão fortemente atingido por causa da sua produção agropecuária. No entanto, alguns preços despencaram, outros subiram, especialmente os da carne bovina. Porém, a carne de frango está bem mais em conta do que outras carnes. Por isso é que o presidente da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Francisco Turra, divulgou que o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, mostrou-se disposto a criar uma força-tarefa no governo para monitorar a crise enfrentada pelo setor avícola, provocada pela alta dos custos dos insumos, principalmente milho e farelo de soja. Um dos problemas é a remoção de milho do Centro-Oeste para as regiões consumidoras. Há agroindústrias que podem parar em dezembro por falta de ração e de frango para abater. Uma das propostas apresentadas por Francisco Turra foi a inclusão de mais produtos na lista do Reintegro, que consiste na devolução dos impostos indiretos que incidem sobre a exportação. Atualmente, o Reintegro é relativo apenas às vendas externas dos produtos processados, que representam 4% das exportações do setor.
O setor defende a ampliação do Reintegro pelo menos até janeiro do próximo ano para dar fôlego às empresas, pois 18 delas passaram por sérias dificuldades financeiras. Em janeiro entra em vigor a desoneração da folha de pagamento. O governo poderia utilizar os mais de R$ 2 bilhões em créditos de exportação do setor para a criação de um fundo garantidor dos financiamentos de capital de giro das agroindústrias, pois o crédito sumiu com o surgimento da crise há quatro meses. Hoje, as empresas não contam com os tradicionais prazos para pagamento na compra dos insumos.
É imperioso também que Brasília brigue pela abertura de mercados como Indonésia, Malásia e Índia. No caso do mercado indiano, o problema é a alta tarifa de 100% sobre a importação. A China tem aprovado mais plantas fornecedoras no Brasil, mas falta o desenlace final. Mesmo assim, as exportações de frango reagiram em setembro e atingiram 308 mil toneladas, com crescimento de 0,6% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado dos primeiros nove meses as exportações de carne de frango atingiram 2,923 milhões de toneladas, volume 0,8% acima do exportado em igual período de 2011. Já a receita recuou 6,9% e ficou em US$ 5,619 bilhões. O preço médio recuou 7,7%.
No entanto, não há uma contração importante na demanda mundial de alimentos por causa da crise econômico-financeira internacional, mas a instabilidade dos mercados preocupa. A volatilidade tem um custo, especialmente para setores de ciclo longo como é o caso da agroindústria. Então, quando há uma crise temos que superar o problema e criar novas oportunidades. O Brasil está tendo essa chance. Não deve perdê-la. Quem tem muitos mercados para abastecer acaba não dependendo de nenhum deles em particular. Enfim, fazer de tudo para sermos o “celeiro do mundo”, Rio Grande do Sul no meio, é claro.

Fonte: Jornal do Comércio

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