Mudanças no comando da Louis Dreyfus

Silvia Costanti/Valor / Silvia Costanti/Valor
Após 27 anos na francesa Louis Dreyfus, 11 como CEO no Brasil, Kenneth Geld deixa a companhia para se aposentar

A multinacional Louis Dreyfus Commodities (LDC), de origem francesa, está prestes a anunciar uma mudança na presidência do conselho de administração de sua subsidiária brasileira. Há quase dois anos no cargo, o executivo Kenneth Geld, no grupo desde 1986, vai se aposentar e será substituído pelo argentino Ciro Echesortu, CEO global da LDC desde o dia 30 de junho.

Echesortu era o principal executivo operacional (COO) da múlti antes de substituir o francês Serge Schoen como CEO. Nessa dança das cadeiras, Schoen, que também partiria para a aposentadoria, foi alçado à presidência do conselho de administração da matriz. Ou seja, é tempo de mudanças na Dreyfus, que junto com as americanas ADM, Bunge e Cargill forma o poderoso grupo de tradings conhecido como "ABCD".

Na ata da assembleia que oficializou a substituição do brasileiro Geld por Echesortu na presidência do conselho da LDC no Brasil, tornada pública em 28 de novembro, a empresa informou que o novo titular ocupará a cadeira "até a Assembleia Geral Ordinária a se realizar no ano de 2014". Natural, uma vez que o argentino é o CEO global da múlti, mas ainda assim mais uma mudança em um curto espaço de tempo.

A troca atual no Brasil está sendo conduzida sob os olhares atentos de Margarita Louis-Dreyfus, que está no país, conforme apurou o Valor. Margarita herdou o controle do grupo depois da morte de seu marido, Robert Louis-Dreyfus, em 2009. A LDC Holdings registrou vendas mundiais de US$ 57 bilhões em 2012, quando transportou e processou 70 milhões de toneladas de commodities agrícolas, boa parte disso a partir da operação brasileira. Desde o início do ano passado, o CEO da subsidiária brasileira é o executivo André Roth, que antes era diretor da área de trading de soja da companhia.

No Brasil, a receita líquida alcançou R$ 11,3 bilhões em 2012, quando houve prejuízo líquido de R$ 95,4 milhões, ante lucro líquido de R$ 108,164 milhões em 2011.

A saída de Kenneth Geld, que foi CEO da subsidiária brasileira entre 2001 e 2012, acontece em um dos momentos mais desafiadores da empresa no país. A operação de açúcar e etanol, concentrada na Biosev, não tem apresentado os resultados esperados, e em 1º de novembro sua presidência trocou de mãos pela terceira vez em menos de dois anos. Egresso da petroquímica Braskem, Rui Chamas sucedeu Christophe Akli, que em janeiro de 2012 havia substituído Bruno Melcher.

Nos seis meses encerrados em 30 de setembro deste ano, a Biosev teve resultado líquido negativo de R$ 245,377 milhões. A multinacional continua em busca de soluções para essa operação, que neste ano foi novamente afetada por problemas climáticos que reduziram a produtividade dos canaviais – o que deve impactar os resultados da empresa.

Em 2013, entraram no caixa da Biosev pelo menos R$ 1,3 bilhão, por conta do aumento privado de capital de R$ 600 milhões realizado pela francesa no início do ano e dos R$ 700 milhões captados na oferta pública inicial de ações do braço sucroalcooleiro na BM&FBovespa.

Mas parte dessa captação em bolsa, ou R$ 600 milhões, poderá ter que ser "devolvida" aos acionistas que detêm também opções de venda desses papéis para a controladora. As opções vencem em meados de 2014 e o assunto está na pauta das reuniões que Margarita tem nesta semana no Brasil. Procurada, a LDC Brasil não comentou.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista e Fernando Lopes | De São Paulo

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