Mudança é um caminho sem volta para a pecuária

Presidente da Associação Brasileira de Angus, raça britânica que tem no Rio Grande do Sul seu berço brasileiro, o catarinense Nivaldo Dzyekanski avalia que a retirada da vacina é um caminho sem volta para a pecuária gaúcha, a exemplo do que já ocorre com o Paraná, que está no mesmo processo, e que será realidade para todo o País, em 2023. Dzyekanski é pecuarista em Itaiópolis, Oeste catarinense, e se diz confiante na condução desse processo também no Rio Grande do Sul.

"Completamos duas décadas sem vacinação, e nunca tivemos nenhum problema. No mercado interno e exportações, no caso da carne bovina, apenas não crescemos porque não temos nem o suficiente para atender ao consumo interno, ao contrário do Rio Grande do Sul. Já na venda de suínos os ganhos foram muitos", explica Dzyekanski.

Hoje, apesar das diferentes características geográficas, de pecuária e de trânsito de animais, Santa Catarina é uma mostra de que é possível manter o controle sanitário animal e um rebanho saudável. Assim como uma forma de ampliar os negócios graças ao novo status sanitário. Como destacam criadores de animais, a segurança do rebanho gaúcho vai depender de muito investimento por parte do governo, manutenção da qualidade do trabalho de defesa sanitária animal e de rigorosos controles locais e de fronteira.

O maior temor, especialmente entre pecuaristas de raças nobres e alta genética, é que um foco possa levar novamente ao abate e ao descarte de um elevado volume de animais. Especialmente touros cujo valor pode alcançar mais de R$ 1 milhão, levando em conta os melhoramentos genéticos que carrega e venda de seu sêmen.

"O Rio Grande do Sul não pode ficar para trás, mas deve haver investimento para isso, inclusive para ressarcimento de perdas na alta genética. O Estado deve fazer sua parte, e os criadores também, comunicando rapidamente as autoridades sanitárias em caso de qualquer problema", pondera o presidente da Angus.

Santa Catarina prioriza um controle sanitário e de fiscalização rigoroso, com todos os animais rastreados. São em torno de 5 milhões de bovinos usando brincos dotados com chips nas orelhas. A tecnologia é custeada totalmente pelo governo estadual, conforme salienta o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri, com um custo próximo de R$ 1,50 o chip.

Fonte: Jornal do Comércio

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